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Saiba quem era a capitã da PM encontrada morta em BH; marido foi preso

Oficial da Polícia Militar desde 2010, Michele Leão Azevedo foi levada para o Hospital Odilon Behrens sem vida

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capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos • Itatiaia

A capitã da Polícia Militar de Minas Gerais Michele Leão Azevedo, de 41 anos, que morreu nesta última segunda-feira (20), em Belo Horizonte, construiu uma trajetória de mais de uma década na corporação, marcada pela atuação na área de segurança pública e pelo investimento na formação acadêmica.

Michele ingressou na Polícia Militar de Minas Gerais em 2010, após concluir o curso de Bacharelado em Ciências Militares pela Academia da corporação. Ao longo da carreira, atuou como oficial da PMMG e buscou aperfeiçoamento na área de ensino.

Em 2023, concluiu uma especialização em Docência no Ensino Superior pelo Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS). No trabalho de conclusão de curso, pesquisou a importância da jurisprudência dos tribunais superiores para a atuação da Polícia Militar, analisando como decisões judiciais influenciam a atividade policial.

No ano anterior, participou do curso de formação complementar de Multiplicador de Direitos Humanos, promovido pela própria PMMG. Antes de ingressar na carreira militar, estudou nos Colégios Militares de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro.

Mãe relata relacionamento abusivo

• Oswaldo Diniz / Reprodução
• Oswaldo Diniz / Reprodução

Em depoimento, a mãe de Michele afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo com o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 ano. Segundo ela, o militar exercia controle sobre a companheira e fazia manipulação emocional.

Mãe e filha tinham um encontro marcado no dia da morte. Por volta das 10h05, no entanto, Michele atendeu a ligação falando em voz baixa e disse que não poderia encontrá-la. Depois disso, a mãe enviou diversas mensagens ao longo do dia, mas não recebeu mais respostas.

A mãe também afirmou que só passou a desconfiar do uso de drogas pela filha após o início do relacionamento com Eduardo. Segundo ela, Michele nunca havia apresentado esse comportamento anteriormente e a família acredita que o consumo tenha sido influenciado pelo companheiro.

Embora Michele nunca tenha relatado diretamente agressões físicas ou ameaças à mãe, a irmã da capitã contou à família que ela descrevia o companheiro como uma pessoa "narcisista" e dizia que tentava encerrar o relacionamento, mas ele não aceitava a separação.

Ainda segundo o depoimento, a irmã relatou um episódio em que o sargento teria sacado uma faca durante uma discussão com Michele.

Para a mãe, o relacionamento era marcado por constantes términos e reconciliações ao longo de aproximadamente oito anos. Ela afirmou ainda que o militar costumava humilhar a capitã, chamando-a de "vagabunda" e dizendo que ela deveria se sentir privilegiada por estar ao lado dele.

A testemunha também relembrou um episódio ocorrido há cerca de três anos, quando, após uma discussão, Eduardo permaneceu em frente à casa da família de Michele insistindo para falar com a companheira.

O crime

De acordo com o capitão Rafael Veríssimo, porta-voz da PMMG, a corporação foi acionada na noite dessa segunda-feira (20) após a capitã Michele Leão Azevedo ter dado entrada no Hospital Odilon Behrens, no bairro São Cristóvão, na Região Noroeste de Belo Horizonte sem sinais vitais e com múltiplas lesões corporais.

Em relato à PMMG, Eduardo afirmou que o casal teria dado uma festa e, após a saída dos convidados, por volta das 5h, eles teriam tido relações sexuais consensuais envolvendo práticas de dominação e agressões físicas, conhecidas como "spanking".

Eduardo alegou que esse tipo de prática fazia parte do relacionamento, que tinha cerca de oito anos, e que os atos daquela madrugada foram gravados em vídeo. Ele também disse que as práticas incluíam agressões corporais, compressão do pescoço e outros atos de dominação.

O militar alegou ainda que, por volta do meio-dia, a esposa teria caído da escada de casa, sofrido um corte profundo na cabeça e machucado a boca. Segundo ele, Michele reclamava de forte tontura, mas não quis ir ao médico por sentir vergonha do estado em que estava após o uso de ecstasy.

Conforme a versão apresentada pelo sargento, ele teria prestado os primeiros socorros, dado banho na esposa, controlado o sangramento e, em seguida, colocado Michele deitada. Os dois teriam dormido por volta das 15h e, apenas às 21h, ele teria percebido que a mulher não respondia aos estímulos.

O que diz a defesa?

Em nota enviada à Itatiaia, o advogado Gustavo Nepomuceno Lopes, responsável pela defesa do sargento, afirmou que acompanha a investigação e pediu cautela na análise do caso.

"A defesa do policial militar informa que tomou conhecimento dos fatos noticiados e já está acompanhando integralmente a apuração. Neste momento, é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado.

O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes.

A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento."

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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