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Síndico relata festas, brigas e medo de moradores em prédio de capitã da PM morta

Moradores relataram barulho frequente, brigas e medo de denunciar o casal por ambos serem policiais; sargento é suspeito de matar a companheira

Por e 
Sargento da Polícia Militar, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a companheira, capitã da PM, Michele Leão Azevedo.
Sargento da Polícia Militar, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a companheira, capitã da PM, Michele Leão Azevedo. • Imagens cedidas à Itatiaia

O síndico do prédio onde morava o sargento da Polícia Militar (PM) Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, preso por suspeita de matar a companheira, a capitã da PM Michele Leão Azevedo, de 41 anos, afirmou que o casal já havia causado incômodos aos moradores por causa de festas frequentes e barulho no apartamento.

Em entrevista à Itatiaia nesta terça-feira (21), Dirceu Oliveira disse que a movimentação no apartamento do casal era grande e diária. Ele relata que, em algumas ocasiões, festas começavam na quinta-feira e seguiam até a segunda-feira.

"Havia casos aí de média de 60 pessoas, que entravam constantemente e saíam do prédio. Às vezes começava numa quinta, acabava na segunda. Era um barulho constante. A gente tinha esse desconforto constantemente”, afirmou o síndico. Dirceu também contou que o condomínio enfrentava dificuldades para tomar medidas contra o casal, já que os moradores tinham receio de registrar reclamações. Segundo ele, o fato de os dois serem policiais contribuía para esse medo.

O síndico também afirmou que a capitã da PM tentava amenizar os conflitos, enquanto o sargento Eduardo teria uma postura mais explosiva. “Ela parecia tentar segurar um pouco a situação, mas também não tinha força para resolver”, disse. Além das festas, Dirceu relatou que vizinhos já teriam ouvido discussões entre o casal. Segundo ele, os conflitos eram frequentes e, na maioria das vezes, partiam do sargento.

“Constantemente tinha brigas. Era mais da parte dele do que dela. A gente via que ela parecia ter vergonha de qualquer tipo de conflito. Ela falava bem baixinho, e ele era mais explosivo”, afirmou.

O síndico disse ainda que ele e os outros moradores tinham medo de que a situação pudesse terminar de forma grave. “Grande parte dos vizinhos já esperava que era uma bomba-relógio, que a qualquer momento ia ter um fato como ocorreu”, declarou.

Vídeo registrou momento em que capitã da PM foi levada desacordada por sargento

Um vídeo registrou o momento em que o sargento sai com a capitã da PM nos braços, já desacordada. Nas imagens obtidas pela Itatiaia, é possível ver o momento em que Eduardo deixa o elevador, por volta das 21h16 dessa segunda-feira (20), no prédio onde o casal mora, no bairro Palmares, na Região Nordeste de Belo Horizonte. Eduardo Abner foi preso por suspeita de matar a companheira.

A capitã da PM, Michele, aparece de moletom, enquanto Eduardo a carrega em direção ao estacionamento. Em seguida, o sargento abre um portão e segue até o carro. Também é possível ver o momento em que ele coloca a companheira no veículo, enquanto observa algo do lado de fora. Apenas cinco minutos depois, o sargento acelera em direção ao portão da garagem. Nesse momento, a porta do carro se abre e a vítima quase cai.

Ainda segundo a polícia, Eduardo teria colocado para lavar as roupas de cama onde a vítima estava deitada momentos antes de morrer. Também foi encontrado pela perícia um cabo de madeira quebrado na lixeira do prédio. De acordo com o Boletim de Ocorrência, o objeto pode ter sido utilizado para agredir a vítima.

Capitã da PM foi levada já morta para hospital em BH

Após a gravação das câmeras de segurança, Michele foi levada por Eduardo ao Hospital Odilon Behrens, no bairro São Cristóvão, na Região Noroeste de Belo Horizonte, durante a noite dessa segunda (20), mas, conforme a equipe médica, Michele chegou ao local já sem vida.

Consta também no Boletim de Ocorrência que a equipe médica do hospital constatou que Michele já estava morta entre quatro e seis horas antes de dar entrada na unidade de saúde. Segundo a médica responsável pelo atendimento, Michele apresentava parada cardiorrespiratória há um tempo considerável e diversos ferimentos pelo corpo, como traumatismo craniano, hematomas e inchaços nas pernas.

Sargento relata festa, uso de drogas e sexo com agressões

Ainda de acordo com o depoimento do sargento suspeito de matar a capitã da PM, naquele dia, o casal proporcionou uma festa no apartamento, e, após a saída dos convidados, por volta das 5h, eles teriam mantido relações sexuais consensuais envolvendo práticas de dominação e agressões físicas, conhecidas como "spanking".

Eduardo afirmou que esse tipo de prática fazia parte do relacionamento havia cerca de oito anos e que os atos daquela madrugada foram gravados em vídeo. Ele também disse que as práticas incluíam agressões corporais, compressão do pescoço e outros atos de dominação.

O militar contou ainda que, por volta do meio-dia, a esposa teria caído da escada da casa, sofrido um corte profundo na cabeça e machucado a boca. Segundo ele, Michele reclamava de forte tontura, mas não quis ir ao médico por sentir vergonha do estado em que estava após o uso de ecstasy.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

 

 

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