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Tio de capitã da PM morta em BH diz que sargento é 'frio e calculista'

Em entrevista à Itatiaia, Marlon Leão afirmou que o militar já ofereceu cigarro eletrônico a adolescentes da família e diz acreditar que ele tentava esconder o crime

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Sargento da Polícia Militar, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a companheira, capitã da PM, Michele Leão Azevedo.
Sargento da Polícia Militar, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a companheira, capitã da PM, Michele Leão Azevedo. • Imagens cedidas à Itatiaia

O tio da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, encontrada morta na última segunda-feira (20), em Belo Horizonte, fez duras acusações contra o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, preso e investigado pela morte da oficial. Em entrevista à Itatiaia, Marlon Leão descreveu o militar como uma pessoa "fria", "calculista" e afirmou que ele tinha um histórico de comportamento violento.

Segundo Marlon, a rejeição ao sargento começou após um episódio envolvendo os filhos dele.

"É uma pessoa fria, calculista, sempre com atitudes de malandro. Tem minha filha, que tinha 12 anos de idade. Ele ofereceu cigarro eletrônico para ela e para o meu filho. A partir desse dia eu nem olhei mais na cara dele. Para mim isso é malandro, é bandido. Uma pessoa representando a Polícia Militar nunca poderia fazer isso", afirmou.

O tio da capitã também disse que o próprio filho presenciou episódios em que Eduardo perseguia Michele durante discussões.

Além disso, Marlon afirmou ter ouvido de familiares que o sargento chegou a ameaçar o ex-marido de Michele, pai do filho da capitã.

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'Era muito querida pela família'

Capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos • Itatiaia
Capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos • Itatiaia

Ao lembrar da sobrinha, Marlon se emocionou e destacou o carinho que Michele tinha pelos familiares.

"Terrível. Eu peguei ela no colo. Todo mundo sempre gostou dela. Ela era muito carinhosa com todo mundo, muito atenciosa. Nunca tive nada contra ela. Pelo contrário, muitas vezes ela me ajudou na vida."

O velório e o sepultamento da capitã Michele Leão Azevedo, morta em BH nessa segunda-feira (20), serão realizados nesta quarta-feira (22). A despedida vai acontecer na Funerária São Cristóvão, no bairro Nova Gameleira, das 9h às 15h. Já o sepultamento deve acontecer no Cemitério da Paz, às 16h.

'Queria esconder alguma coisa'

Questionado sobre a versão apresentada pelo sargento — de que as lesões ocorreram durante práticas sexuais consensuais e após uma queda da escada —, Marlon disse acreditar que a perícia vai esclarecer o caso.

Segundo ele, as imagens das câmeras de segurança do condomínio, obtidas pela Itatiaia, reforçam a suspeita da família.

"Por mais que pessoas tenham uma relação mais agressiva, não a esse ponto. Eu vi o vídeo dele carregando ela pelo elevador até o carro. Isso aí é, com certeza, alguém que está querendo esconder alguma coisa."

O tio afirmou confiar no trabalho dos investigadores.

Entenda o caso

Michele Leão Azevedo deu entrada já sem vida no Hospital Odilon Behrens, na noite de segunda-feira (20). Segundo os médicos, ela estava morta havia entre quatro e seis horas e apresentava traumatismo craniano, hematomas e diversos ferimentos pelo corpo.

Em depoimento, Eduardo afirmou que o casal participou de uma festa, consumiu bebidas alcoólicas e ecstasy e, após a saída dos convidados, manteve relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Ele também alegou que Michele caiu da escada e recusou atendimento médico.

A investigação, porém, reuniu outros elementos. O sargento foi flagrado descartando comprimidos de ecstasy na lixeira do hospital, colocou as roupas de cama para lavar antes da chegada da perícia e um cabo de madeira quebrado, que pode ter sido utilizado para agredir a vítima, foi encontrado na lixeira do prédio.

Moradores do condomínio também relataram à Itatiaia que as brigas entre o casal eram frequentes. O síndico, Dirceu Oliveira, afirmou que um morador encontrou sangue no corredor do edifício, vindo da porta do apartamento. As câmeras de segurança registraram ainda o momento em que Eduardo carrega Michele desacordada até o carro antes de seguir para o hospital.

O que diz a defesa do sargento

Por meio de nota, a defesa do sargento Eduardo Abner disse que tomou conhecimento dos fatos noticiados e já está acompanhando integralmente a apuração.

"Neste momento, é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado. O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes. A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento."

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

 

 

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