Em 24h, BH vive onda de violência contra mulheres com duas mortas e outra jogada de prédio
Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde que esse tipo de crime passou a ser tipificado na legislação, em 2015

Belo Horizonte registrou, em menos de 24 horas, ao menos três casos graves de violência contra mulheres. Duas delas morreram e uma outra sobreviveu após ser arremessada do terceiro andar de um prédio pelo próprio companheiro.
Um desses casos foi o da morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais, Michele Leão Azevedo, de 41 anos. A mulher foi levada, já sem vida, para o Hospital Odilon Behrens na noite dessa segunda-feira (20). O marido da oficial, sargento da PMMG, foi preso suspeito do crime. Ainda no mesmo dia, outro caso assustou a capital mineira. Uma mulher foi encontrada morta dentro de um apartamento no bairro Camargos, na Região Oeste. O namorado da vítima se apresentou à polícia, confessou o crime e foi preso.
Já na manhã dessa terça-feira (21), uma mulher foi lançada do terceiro andar de um prédio pelo companheiro, no bairro Jonas Veiga, na Região Leste. Apesar da queda, ela sobreviveu e foi socorrida com vida. O suspeito foi preso e deve responder por tentativa de feminicídio. Segundo as investigações, a mulher sofria episódios recorrentes de violência praticados pelo companheiro.
Feminicídio virou rotina?
Os três episódios ocorreram com um intervalo de menos de 24 horas e têm em comum a suspeita de violência praticada por homens com quem as vítimas mantinham ou mantiveram relacionamento afetivo, cenário que representa a maioria dos casos de feminicídio registrados no país.
O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde que esse tipo de crime passou a ser tipificado na legislação, em 2015. Isso representa uma média de mais de quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. Desde a criação da lei, mais de 13,7 mil mulheres foram vítimas de feminicídio no país.
Em Minas Gerais, a situação também é alarmante. O estado aparece entre os que concentram o maior número de feminicídios do Brasil. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que, somente em 2024, foram registrados 163 feminicídios e cerca de 125 mil casos de violência doméstica, o equivalente a aproximadamente 345 ocorrências por dia.
Relembre os casos
Mulher encontrada morta em apartamento
Stifanie Ribeiro Firmino Silva, de 35 anos, foi encontrada morta dentro do próprio apartamento na tarde dessa segunda-feira (20). O caso aconteceu em um condomínio no bairro Camargos, na Região Oeste de Belo Horizonte. Vizinhos informaram que Stifanie morava sozinha e não era vista desde a última quarta-feira (15). Quando foram ao apartamento da mulher, sentiram um cheiro forte. O corpo dela foi encontrado debaixo de cobertas e estava em avançado estado de decomposição.
De acordo com testemunhas, um homem saiu do apartamento da vítima e foi visto carregando malas. Identificado como André Junior Silva de Carvalho, o suspeito seria o namorado da vítima. Moradores do condomínio relataram que o homem foi visto carregando malas ao sair do local e que ele teria passado de três a cinco dias no imóvel. André confessou a autoria do crime após se apresentar voluntariamente à Polícia Civil (PCMG) nesta terça-feira (21).

Capitã da PM morta e marido, sargento, preso
Michelle Leão Azevedo, capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), foi levada pelo marido já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte, na noite dessa segunda-feira (20). No local, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, marido da vítima e sargento da PMMG, afirmou que a esposa havia caído de uma escada. No entanto, a capitã apresentava diversos hematomas pelo corpo, o que levantou suspeitas sobre a versão apresentada.
Em depoimento, Eduardo afirmou que o casal teria tido relações sexuais consensuais envolvendo práticas de dominação e agressões físicas, conhecidas como "spanking". O sargento alegou que esse tipo de prática, que incluía agressões corporais, compressão do pescoço e outros atos de dominação, fazia parte do relacionamento há cerca de oito anos. Conforme a versão apresentada pelo sargento, ele teria prestado os primeiros socorros, dado banho na esposa, controlado o sangramento e, em seguida, colocado Michele deitada. Os dois teriam dormido por volta das 15h e, apenas às 21h, ele teria percebido que a mulher não respondia aos estímulos.
Ainda de acordo com a investigação, o casal mantinha uma relação conturbada, marcada por términos e recomeços. A mãe de Michele chegou a dizer, inclusive, que o homem exercia controle sobre a companheira e fazia manipulação emocional. Ela afirmou ainda que o militar costumava humilhar a capitã, chamando-a de "vagabunda" e dizendo que ela deveria se sentir privilegiada por estar ao lado dele. Embora Michele nunca tenha relatado diretamente agressões físicas ou ameaças à mãe, a irmã da capitã contou à família que ela descrevia o companheiro como uma pessoa "narcisista" e dizia que tentava encerrar o relacionamento, mas ele não aceitava a separação.
Eduardo foi preso em flagrante ainda na noite dessa segunda-feira (20).

Mulher é jogada pela janela de prédio
Uma mulher, de 31 anos, foi jogada do terceiro andar de um prédio pelo companheiro, de 30, no bairro Jonas Veiga, na Região Leste de Belo Horizonte, nesta terça-feira (21). Segundo a Polícia Militar, a mulher caiu no segundo andar e teve escoriações leves. Ela foi conduzida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Leste e, posteriormente, para o Hospital João XXIII. O suspeito de cometer a tentativa de feminicídio foi preso. Ainda segundo a PM, ele teria jogado a mulher após uma discussão entre os dois.
As investigações sobre a dinâmica e motivação do crime ainda são investigadas pela Polícia Civil de Minas Gerais. As identidades da vítima e do suspeito e informações sobre o estado de saúde da mulher não foram divulgadas.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



