Itatiaia

Sobrevivente cobra justiça após morte de namorada grávida em acidente de ônibus na BR-040

Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos, é uma das dez vítimas que morreram em acidente que aconteceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro

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Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos, é uma das dez vítimas que morreram em acidente que aconteceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro • Felipe Quintella / Itatiaia

“Quero justiça pela vida dela, pela vida do meu filho”, afirma Gabriel Bernardo da Silva, sobrevivente do acidente que envolveu um ônibus de turismo e provocou a morte de dez pessoas, incluindo a namorada dele, Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, que tinha 19 anos e estava grávida de cinco meses. A afirmativa dele foi dada à Itatiaia nesta terça-feira (18), quando ocorre o velório da jovem. A cerimônia de despedida está sendo realizada na Funerária Dom Bosco, no bairro Lagoinha, na Região Noroeste de Belo Horizonte. 

Gabriel contou que ele e a namorada estavam a caminho do Rio de Janeiro e tinham como plano fazer um ensaio de fotos da gravidez na praia. Além disso, contou que Ketelyn estava programando uma surpresa para ele. Essa seria a primeira viagem dos dois juntos. O ônibus em que eles estavam havia saído de Belo Horizonte e tombou na serra de Petrópolis-RJ nesse domingo (16). 

“O motorista estava correndo. Nós pedimos ele para parar de correr e [ele] continuou. [...] Eu tentei ir lá impedir antes do acontecido, mas ela não quis deixar, ela não queria soltar minha mão. Antes do acontecido, ela me abraçou, me agradeceu, falou: ‘Te amo, obrigado por tudo’. Me deu um beijo. E não sabia o que ia acontecer. Passou cinco minutos, aconteceu esse acidente, o ônibus virou. Eu caí lá do outro lado, bati a cabeça na árvore. E subi para tentar ajudar ela, só que não estava vendo mais nada, porque estava tudo escuro, os vidros estavam no olho”. 

Visivelmente abalado, Gabriel contou que tentou socorrer a namorada, mas não conseguiu. “Tentei tirar ela de lá, não consegui. Desenterrei a cabeça dela, ela estava enterrada. Só consegui ver ela porque vi a barriguinha dela para cima. O ônibus estava todo em cima dela, banco em cima dela. A lataria do ônibus estava em cima dela. E eu não consegui fazer de nada. Tentei fazer tudo que pude, não consegui”, relatou. 

Gabriel afirmou que quer justiça pela namorada, pelo filho e pelos familiares das outras vítimas do acidente. Além de Ketelyn, outras nove pessoas morreram, incluindo uma criança de 7 anos. 

Sonho de engravidar

“Ela era muito alegre, ela unia toda a família. Tinha seis meses que ela estava com o sonho de engravidar, tentando e ela havia conseguido agora, estava grávida de um menino, [algo] que nós descobrimos pela fatalidade. E ela unia todo mundo. Estava muito feliz, muito”, contou Luisa Marra, prima de Ketelyn. Segundo ela, a jovem estava radiante com a gravidez, que era o maior sonho dela. 

Sobre a clandestinidade do ônibus, que foi apontada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Luisa Marra disse que é “revoltante”. “A gente quer descobrir o que realmente aconteceu e que os responsáveis sejam punidos, porque nossa família está despedaçada. Não é justo uma menina de 19 anos, não só ela, tiveram famílias que perderam mais pessoas, mas não é justo uma menina de 19 anos perder a vida, grávida, e esse fato ficar impune. Nada vai pagar nossa dor, nada vai resolver o nosso problema, ela já se foi, mas a gente quer justiça pela vida dela e pela vida do neném”, afirmou a prima de Ketelyn.

Ônibus clandestino 

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o ônibus envolvido no acidente não estava habilitado para realizar transporte interestadual de passageiros. Segundo o órgão, a operação é caracterizada como transporte clandestino de passageiros.

O veículo, que tinha placa AKY-3454, estava registrado em nome da Dinna Ellles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. Nenhuma das duas empresas está habilitada pela ANTT. A empresa Estrela Guia Turismo foi apontada como responsável pela viagem, mas também não é habilitada para realizar o transporte interestadual de passageiros.

O ônibus contava ainda com adesivo da ANTT em nome da empresa Samara, que também está inapta. "Diante das informações disponíveis até o momento, a operação é caracterizada como transporte clandestino de passageiros", afirmou o órgão.

Nota da empresa

A Estrela Guia manifesta profundo pesar pelo grave acidente ocorrido e se solidariza com as vítimas, seus familiares e todos os envolvidos neste momento de profunda dor e consternação.

Neste momento difícil, a empresa está prestando apoio às famílias das vítimas, inclusive colaborando com o traslado dos corpos para seus locais de destino, bem como disponibilizando suporte para o transporte dos sobreviventes até suas respectivas residências, conforme as necessidades de cada família.

A Estrela Guia esclarece ainda que não dispõe, neste momento, de informações atualizadas sobre o estado de saúde dos passageiros que permanecem internados. As informações médicas são repassadas pelos hospitais exclusivamente aos familiares, em respeito à privacidade e ao sigilo das informações dos pacientes.

A empresa reafirma que está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração dos fatos e adotando todas as providências possíveis para prestar assistência às vítimas, aos sobreviventes e às suas famílias.

A Estrela Guia lamenta profundamente o ocorrido e expressa sua solidariedade a todas as famílias que enfrentam este momento de dor. Neste momento de tristeza, nossa prioridade é acolher, apoiar e prestar toda a assistência possível às pessoas atingidas por esta tragédia.

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Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

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Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.

 

 

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