Sobrevivente cobra justiça após morte de namorada grávida em acidente de ônibus na BR-040
Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, de 19 anos, é uma das dez vítimas que morreram em acidente que aconteceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro

“Quero justiça pela vida dela, pela vida do meu filho”, afirma Gabriel Bernardo da Silva, sobrevivente do acidente que envolveu um ônibus de turismo e provocou a morte de dez pessoas, incluindo a namorada dele, Ketelyn Polyane Alves de Oliveira, que tinha 19 anos e estava grávida de cinco meses. A afirmativa dele foi dada à Itatiaia nesta terça-feira (18), quando ocorre o velório da jovem. A cerimônia de despedida está sendo realizada na Funerária Dom Bosco, no bairro Lagoinha, na Região Noroeste de Belo Horizonte.
Gabriel contou que ele e a namorada estavam a caminho do Rio de Janeiro e tinham como plano fazer um ensaio de fotos da gravidez na praia. Além disso, contou que Ketelyn estava programando uma surpresa para ele. Essa seria a primeira viagem dos dois juntos. O ônibus em que eles estavam havia saído de Belo Horizonte e tombou na serra de Petrópolis-RJ nesse domingo (16).
“O motorista estava correndo. Nós pedimos ele para parar de correr e [ele] continuou. [...] Eu tentei ir lá impedir antes do acontecido, mas ela não quis deixar, ela não queria soltar minha mão. Antes do acontecido, ela me abraçou, me agradeceu, falou: ‘Te amo, obrigado por tudo’. Me deu um beijo. E não sabia o que ia acontecer. Passou cinco minutos, aconteceu esse acidente, o ônibus virou. Eu caí lá do outro lado, bati a cabeça na árvore. E subi para tentar ajudar ela, só que não estava vendo mais nada, porque estava tudo escuro, os vidros estavam no olho”.
Visivelmente abalado, Gabriel contou que tentou socorrer a namorada, mas não conseguiu. “Tentei tirar ela de lá, não consegui. Desenterrei a cabeça dela, ela estava enterrada. Só consegui ver ela porque vi a barriguinha dela para cima. O ônibus estava todo em cima dela, banco em cima dela. A lataria do ônibus estava em cima dela. E eu não consegui fazer de nada. Tentei fazer tudo que pude, não consegui”, relatou.
Gabriel afirmou que quer justiça pela namorada, pelo filho e pelos familiares das outras vítimas do acidente. Além de Ketelyn, outras nove pessoas morreram, incluindo uma criança de 7 anos.
Sonho de engravidar
“Ela era muito alegre, ela unia toda a família. Tinha seis meses que ela estava com o sonho de engravidar, tentando e ela havia conseguido agora, estava grávida de um menino, [algo] que nós descobrimos pela fatalidade. E ela unia todo mundo. Estava muito feliz, muito”, contou Luisa Marra, prima de Ketelyn. Segundo ela, a jovem estava radiante com a gravidez, que era o maior sonho dela.
Sobre a clandestinidade do ônibus, que foi apontada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Luisa Marra disse que é “revoltante”. “A gente quer descobrir o que realmente aconteceu e que os responsáveis sejam punidos, porque nossa família está despedaçada. Não é justo uma menina de 19 anos, não só ela, tiveram famílias que perderam mais pessoas, mas não é justo uma menina de 19 anos perder a vida, grávida, e esse fato ficar impune. Nada vai pagar nossa dor, nada vai resolver o nosso problema, ela já se foi, mas a gente quer justiça pela vida dela e pela vida do neném”, afirmou a prima de Ketelyn.
Ônibus clandestino
De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o ônibus envolvido no acidente não estava habilitado para realizar transporte interestadual de passageiros. Segundo o órgão, a operação é caracterizada como transporte clandestino de passageiros.
O veículo, que tinha placa AKY-3454, estava registrado em nome da Dinna Ellles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. Nenhuma das duas empresas está habilitada pela ANTT. A empresa Estrela Guia Turismo foi apontada como responsável pela viagem, mas também não é habilitada para realizar o transporte interestadual de passageiros.
O ônibus contava ainda com adesivo da ANTT em nome da empresa Samara, que também está inapta. "Diante das informações disponíveis até o momento, a operação é caracterizada como transporte clandestino de passageiros", afirmou o órgão.
Nota da empresa
A Estrela Guia manifesta profundo pesar pelo grave acidente ocorrido e se solidariza com as vítimas, seus familiares e todos os envolvidos neste momento de profunda dor e consternação.
Neste momento difícil, a empresa está prestando apoio às famílias das vítimas, inclusive colaborando com o traslado dos corpos para seus locais de destino, bem como disponibilizando suporte para o transporte dos sobreviventes até suas respectivas residências, conforme as necessidades de cada família.
A Estrela Guia esclarece ainda que não dispõe, neste momento, de informações atualizadas sobre o estado de saúde dos passageiros que permanecem internados. As informações médicas são repassadas pelos hospitais exclusivamente aos familiares, em respeito à privacidade e ao sigilo das informações dos pacientes.
A empresa reafirma que está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração dos fatos e adotando todas as providências possíveis para prestar assistência às vítimas, aos sobreviventes e às suas famílias.
A Estrela Guia lamenta profundamente o ocorrido e expressa sua solidariedade a todas as famílias que enfrentam este momento de dor. Neste momento de tristeza, nossa prioridade é acolher, apoiar e prestar toda a assistência possível às pessoas atingidas por esta tragédia.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.
Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.




