‘Sete anos depois, a palavra que fica é impunidade’, dizem familiares de vítimas de Brumadinho

Atos, seminário e homenagens marcam a semana de mobilizações pela responsabilização do crime que matou 272 pessoas

Sete anos após o rompimento da barragem da Vale na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, a dor permanece e a busca por justiça continua. A tragédia — considerada um crime — matou 272 pessoas, devastou famílias, comunidades e causou danos ambientais profundos. Em Minas Gerais e no país, o episódio segue como uma ferida aberta.

Passados sete anos, o sentimento que ecoa é de saudade, indignação e resistência diante da impunidade.

Para marcar a data, que será lembrada no próximo domingo, 25 de janeiro, familiares das vítimas e movimentos sociais promovem, ao longo desta semana, uma série de atos em Brumadinho.

A diretora da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos (AVAB), Josiane Melo, detalhou a programação.

“No dia 22, a gente vai fazer um seminário com foco na questão da justiça e da responsabilização. Vamos receber pessoas do direito reconhecidas no Brasil e projetos da UFMG, discutindo responsabilização e reparação”, afirmou.

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Segundo ela, no dia 23 haverá um concerto na Praça das Joias, no Centro da cidade. “No dia 24, fazemos a nossa tradicional carreata, um clamor por justiça. E no dia 25, no mesmo horário do crime, estaremos reunidos para um ato de clamor e homenagem às vítimas”, completou.

Para Flávia Coelho, que perdeu o pai, Olavo, no rompimento da barragem, o sentimento é de revolta. “A palavra que fica é impunidade”, disse.

Ela ressalta que a luta continua para os responsáveis serem julgados. “Nesses sete anos, a gente luta para que este seja o ano em que os julgamentos comecem. Existe essa previsão, e a nossa esperança é que ela não seja cancelada”, afirmou.

Flávia destacou ainda que a principal reivindicação é a responsabilização criminal dos envolvidos.

“A nossa luta diária é pela punição criminal daqueles que estavam à frente da empresa Vale no ano do rompimento, para que esse crime, de fato, seja encerrado. Ele não pode continuar acontecendo”, concluiu.

Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.

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