‘Se chamarem, ele não vai responder’, diz irmã de idoso com problemas na fala soterrado em asilo de BH

Idoso de 72 anos está entre as vítimas soterradas no prédio que desabou no bairro Jardim Vitória; parente soube da tragédia por ligação de vizinha

‘Se chamarem, ele não vai responder’, diz irmã de idoso com problemas na fala soterrado em asilo de BH

A irmã de uma das vítimas soterradas no desabamento do prédio onde funcionava um asilo, no bairro Jardim Vitória, na Região Noroeste de Belo Horizonte, nesta quinta-feira (5), relatou à Itatiaia que o idoso de 72 anos não fala e que soube da tragédia por meio de uma ligação. Até a última atualização do Corpo de Bombeiros, 11 pessoas estavam soterradas.

“Ele não fala. Então, se chamarem lá, ele não vai responder, porque realmente não fala. Ele tem esse problema. Eu estou procurando por ele”, lamentou Suelli Freitas.

Segundo ela, que mora em Taquaraçu de Minas, uma vizinha ligou por volta de 2h da manhã para avisar sobre o que havia acontecido.

“Aí eu vim para cá por causa do meu irmão. Ele tem 72 anos e mora aqui há cerca de oito anos. Não tinha relato de problema nenhum com a estrutura. Era tranquilo, muito bom, bem feito, bem estruturado. Mas tem coisa que é destino mesmo, né? Quando tem que acontecer na vida.”

Os militares também informaram, durante coletiva de imprensa, que ao todo eram 29 pessoas no local. Delas, 9 conseguiram se salvar com vida. Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros, Henrique Barcellos, os militares utilizam ferramentas especializadas para tentar identificar sinais de vida e acessar possíveis bolsões onde vítimas possam estar presas.

Imagens mostram estado do lar de idosos que desabou nesta quinta-feira (5) em Belo Horizonte

De acordo com o tenente, o resgate exige rapidez, mas também muita cautela, já que é necessário evitar novos deslizamentos da estrutura.

“A luta contra o tempo é trabalhar com agilidade, com cautela. Sabemos que esses bolsões de ar que podem se formar em uma ocorrência como essa são vitais. Chegar até essas vítimas quanto antes é o nosso propósito aqui”, afirmou Barcellos.

Os chamados bolsões de ar podem se formar entre os escombros e permitir que vítimas sobrevivam por mais tempo enquanto aguardam resgate.

Estrutura do prédio

Conforme as informações levantadas pelas equipes de resgate, o prédio tinha quatro pavimentos. No subsolo, funcionava uma garagem com uma clínica de bronzeamento. No primeiro pavimento, estava instalado o asilo, que abrigava cerca de 23 moradores distribuídos em seis quartos.

O segundo andar era utilizado como residência, enquanto no terceiro pavimento funcionava uma academia. Os bombeiros também trabalham para identificar quem ainda pode estar sob os escombros. Segundo o tenente, as equipes fazem um levantamento do perfil das vítimas e dos locais onde elas estavam no momento do desabamento.

Lar de idosos Pró-Vida, no bairro Jardim Vitória, Região Nordeste de Belo Horizonte.

“Nosso trabalho agora é localizar as pessoas que ainda não foram retiradas, identificar quem estava morando, trabalhando ou hospedado no local e qual a maior probabilidade de onde essas vítimas possam estar”, disse.

Prédio estava regular

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que o imóvel estava regularizado junto ao município. Segundo a Secretaria Municipal de Política Urbana, o local possuía alvará de localização e funcionamento para a atividade de lar de longa permanência de idosos, com validade até 2030.

Já a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o estabelecimento também tinha alvará sanitário válido e regular. De acordo com a pasta, a última vistoria da Vigilância Sanitária foi realizada em janeiro de 2026.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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