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Cidade da Grande BH confirma caso de raiva animal em morcego encontrado morto

Animal morto foi encontrado por um profissional da UBS; material foi analisado por um laboratório de referência, que atestou a presença do vírus

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Caso foi confirmado em Betim, na Grande BH
Caso foi confirmado em Betim, na Grande BH • Imagem / Canva

A Secretaria Municipal de Saúde de Betim confirmou, nesta sexta-feira (24), um caso de raiva animal em um morcego encontrado morto na região do bairro Capelinha. O animal foi localizado por um profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS CAIC).

De acordo com nota divulgada pela pasta, o material foi analisado por um laboratório de referência, que atestou a presença do vírus. "Imediatamente após a confirmação, o Centro de Controle de Zoonoses e Endemias (CCZE) iniciou ações de bloqueio e prevenção em um raio de 500 metros do local. Ao todo, 16 agentes atuam na região, realizando visitas domiciliares, orientações à população e medidas de controle sanitário", destacou a secretaria em nota.

A prefeitura também informou que foi iniciada a vacinação preventiva de cães e gatos da área como estratégia de proteção. "A imunização é fundamental para interromper a cadeia de transmissão e proteger também os moradores", acrescentou.

Ainda de acordo com o comunicado, "todos os tutores devem manter a vacinação antirrábica de seus animais em dia e procurar o CCZE em caso de dúvidas". A secretaria também orientou que os tutores observem o comportamento dos animais, como sinais de agressividade fora do comum, salivação excessiva ou apatia.

"A Secretaria de Saúde ressalta que, ao encontrar morcegos mortos ou com comportamento anormal em residências, quintais ou vias públicas, o animal não deve ser tocado. O CCZE deve ser acionado imediatamente para o recolhimento adequado e seguro", orientou.

Vacinação

Local: CAIC
Endereço: Avenida Nova York, 341 – Capelinha
Data: sábado, 25 de abril
Horário: das 8h às 17h

A raiva

Em entrevista à Itatiaia, o infectologista da Oncoclinicas, Cristiano Galvão, deu detalhes sobre como acontece a transmissão da raiva para humanos. "A raiva é uma doença causa por um vírus que fica presente na saliva dos animais infectados. Então, a transmissão se dá pelo contato do ser humano com a saliva dos animais e costuma acontecer principalmente a partir de mordeduras, arranhaduras e até lambedura desses animais", explica.

Quais os sintomas da raiva?

Entre os sintomas mais comuns em humanos, Galvão destaca:
Cefaleia (Dor de Cabeça)
Vômitos
Inflamação do cérebro
Espasmos Musculares
Crises convulsivas
Entorpecimento
Coma

Existe tratamento para raiva?

O infectologista esclarece que a raiva humana é uma doença que tem a letalidade próxima de 100%, ou seja, quase todas as pessoas que contraem a doença morrem. Apesar desse dado, Galvão explica que existe, sim, um protocolo de tratamento para a raiva. "A gente até tem um protocolo específico de tratamento da raiva humana, mas que a resposta é muito ruim. É um tratamento baseado na indução de coma, uso de antivirais e suporte clínico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Mas, a resposta é muito ruim com uma taxa aí de cura baixíssima", informa.

Quais os riscos da raiva para crianças?

A raiva é tão grave para adultos quanto para crianças. "No caso das crianças, elas podem ser consideradas grupo de risco devido à exposição a animais. Temos uma estatística de que 45% das mordeduras de animais acontecem no período de férias escolares, então as crianças estão mais expostas", pontua.

O que posso fazer para prevenir que meu filho seja contaminado?

Galvão recomenda que os pais evitem de deixar que as crianças brinquem com animais desconhecidos e cachorros de rua. "É importante também que eles orientem os filhos caso encontrem algum bicho, por exemplo, algum morcego caído no chão, não manusear o animal e chamar a ajuda de um responsável", aconselha. Em casos de mordedura ele orienta que os responsáveis lavem de forma extensiva o ferimento com água e sabão, além de procurar atendimento médico.

Vacina

Apesar da raiva não ter um tratamento eficaz, existe a vacinação que pode ser aplicada pós-exposição ao vírus. "Em alguns casos ela é aplicável e ela consegue impedir que a doença se instale. Mas, os casos devem ser avaliados caso a caso e é necessária a avaliação de um profissional médico para saber se tem indicação", explica.

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