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Homem é indiciado por abuso sexual contra enteada de nove anos na Grande BH

Crime estava acontecendo há cerca de três anos; denúncia foi registrada pela mãe que teria sugerido que vítima estava confusa

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Imagem meramente ilustrativa • Divulgação / PCMG

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) indiciou um homem, de 55 anos, investigado por estupro de vulnerável contra a enteada, de nove, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Os abusos estavam acontecendo há cerca de três anos.

A denúncia foi registrada na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher do município pela mãe da vítima, em junho de 2025. De acordo com a delegada Patrícia Godoy, a mulher relatou que a filha havia contado o que teria acontecido para a tia e avó materna, mas que não acreditava que o crime de fato ocorreu.

Posteriormente, a mãe apresentou um depoimento contraditório. A investigação aponta que ela teria enviado mensagens sugerindo que a filha estava confusa.

Durante o procedimento policial, a avó e a tia da vítima também foram ouvidas. Elas relataram que os abusos aconteciam na residência da companheira do investigado, desde que eles começaram a se relacionar, há cerca de três anos. O homem optou por não prestar declarações sobre o caso, informou a Polícia Civil.

A delegada afirmou que mesmo com os abusos acontecendo há anos, a vítima "não teve coragem de contar antes, pois afirmava que a mãe iria defender o investigado". Godoy ainda apontou que, segundo os depoimentos colhidos, a criança descreveu diversos comportados atribuídos ao padrasto, “incluindo exposição do órgão genital, toques íntimos e outras condutas de natureza sexual ocorridas em diferentes momentos”.

Mãe teve 'depoimento contraditório'

A investigação aponta que a menina sofreu pressão psicológica, com o objetivo de confundir a criança sobre o crime. A delegada afirmou que a mãe "teria enviado mensagens sugerindo que a filha poderia estar confundida e alertando sobre possível consequências das acusações". Além disso, a avó relatou aos policiais que a criança teria sido orientada a não repetir as denúncias em depoimentos formais.

A Polícia Civil considerou o depoimento apresentado pela mãe contraditório. "Ela afirmou que o companheiro não ficava a sós com a filha e que um dos episódios relatados poderia ter sido um equívoco. No entanto, essa versão foi contestada por outros depoimentos, que indicam situações em que a criança e o suspeito estavam sozinhos, disse Godoy.

Porém, os relatos da avó e da tia da criança foram considerados consistentes e detalhados, apontando que os episódios teriam ocorrido de forma reiterada ao longo do tempo. "As duas testemunhas também afirmaram que a criança apresentou mudanças de comportamento, como queda no rendimento escolar e resistência a contato físico, destacou a delegada.

O inquérito policial será encaminhado à Justiça para os procedimentos legais.

Como denunciar?

  • Disque 100, do serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que pode ser considerado como “pronto socorro” atendendo graves situações de violações que acabaram de ocorrer ou que ainda estão em curso, acionando os órgãos competentes e possibilitando o flagrante.
  • Disque 190, da Polícia Militar, em casos de risco imediato.
  • Disque 180, da Polícia Civil. Também é possível ir presencialmente nas delegacias da corporação.
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.