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Porta-voz da PM diz que sargento preso por morte de capitã pode ser expulso da corporação

Capitão Rafael Veríssimo também afirmou que Eduardo Abner Pereira de Oliveira chegou a ser exonerado durante o curso de formação

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porta-voz da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), capitão Rafael Veríssimo / sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira • Itatiaia

O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, preso preventivamente por suspeita de matar a capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, poderá ser expulso da corporação caso seja condenado pelo crime. A informação foi dada nesta quarta-feira (22) pelo porta-voz da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), capitão Rafael Veríssimo, durante o sepultamento de Michele.

Segundo o oficial, além da responsabilização criminal, o caso também terá desdobramentos administrativos.

"Os atos que um policial militar faz, sobretudo em relação a atos criminais repugnantes como esse, caso comprovados após o devido processo legal, vão repercutir também na esfera administrativa, podendo, sim, ser excluído da corporação", afirmou.

Nesta quarta-feira, a Justiça converteu a prisão em flagrante do sargento em preventiva durante audiência de custódia.

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Capitã nunca denunciou o companheiro

Sargento da Polícia Militar, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a companheira, capitã da PM, Michele Leão Azevedo. • Imagens cedidas à Itatiaia
Sargento da Polícia Militar, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, suspeito de matar a companheira, capitã da PM, Michele Leão Azevedo. • Imagens cedidas à Itatiaia

Durante a entrevista, Rafael Veríssimo também revelou que Michele nunca registrou boletim de ocorrência nem denunciou formalmente qualquer episódio de violência ou ameaça praticado pelo companheiro.

"Não houve, em nenhum momento, algum registro da capitã Michele em relação a qualquer tipo de denúncia, boletim de ocorrência ou relato formal de ameaças ou de um relacionamento abusivo."

Segundo o porta-voz, a Polícia Militar só tomou conhecimento dos relatos da família durante as diligências realizadas após a prisão do sargento.

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PM faz apelo para que população denuncie

Questionado sobre relatos de moradores do condomínio, que disseram à Itatiaia ouvir gritos e discussões frequentes, mas evitavam denunciar por se tratar de dois policiais militares, Veríssimo fez um apelo para que situações semelhantes sejam comunicadas às autoridades.

"Uma denúncia salva vidas."

O capitão destacou que a população deve acionar o 190 em situações de flagrante ou utilizar o Disque-Denúncia 181, inclusive pela internet, quando desejar preservar o anonimato.

"A gente conta muito com essa participação da população, porque uma denúncia pode antecipar a atuação do Estado e evitar situações como essa."

Histórico do sargento

Rafael Veríssimo também confirmou que Eduardo já havia figurado como autor em três boletins de ocorrência relacionados à violência doméstica.

Segundo ele, um dos registros é de 2014, antes de o militar ingressar na corporação. Outro ocorreu em 2016, já como policial militar.

O porta-voz explicou ainda que Eduardo chegou a ser exonerado durante o curso de formação após omitir, na ficha de ingresso da PM, que havia sido apreendido quando adolescente por porte ilegal de arma de fogo. A exclusão, porém, foi revertida pela Justiça, e ele retornou à corporação em 2015.

Entenda o caso

Michele Leão Azevedo deu entrada já morta no Hospital Metropolitano Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20). Segundo os médicos, ela apresentava traumatismo craniano, hematomas e diversas lesões pelo corpo, além de estar morta havia entre quatro e seis horas.

Em depoimento, Eduardo afirmou que o casal consumiu bebidas alcoólicas e ecstasy durante uma festa e manteve relações sexuais consensuais com práticas de agressão física. Ele também alegou que Michele sofreu uma queda da escada e recusou atendimento médico.

A investigação, porém, aponta outros elementos. O sargento foi flagrado descartando comprimidos de ecstasy na lixeira do hospital, colocou roupas de cama para lavar antes da chegada da perícia e um cabo de madeira quebrado, que pode ter sido utilizado nas agressões, foi apreendido no condomínio.

Moradores relataram à Itatiaia que as brigas entre o casal eram constantes. Imagens das câmeras de segurança também mostram Eduardo carregando Michele desacordada até o carro antes de levá-la ao hospital.

O que diz a defesa do sargento

Por meio de nota, a defesa do sargento Eduardo Abner disse que tomou conhecimento dos fatos noticiados e já está acompanhando integralmente a apuração.

"Neste momento, é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado. O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes. A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento."

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

 

 

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