Irmã de mineiro morto em SC desabafa: ‘Não merecia passar o que passou’

Guilherme Macedo de Almeida, de 20 anos, era um dos quatro jovens encontrados sem vida e com sinais de espancamento em Santa Catarina

Guilherme tinha 20 anos e havia se mudado para Santa Catarina em busca de oportunidades de trabalho

“Era um menino de ouro. Honesto, trabalhador, simples, humilde, simpático, solidário. Meu irmão não merecia passar o que passou”. Esse foi o desabafo de Laís Almeida, de 24 anos, irmã mais velha de Guilherme Macedo de Almeida, de 20 anos, em entrevista concedida à Itatiaia nessa terça-feira (6), dia do sepultamento do caçula.

Guilherme, natural de Guaranésia, no Sul de Minas, é um dos quatro amigos encontrados mortos no último sábado (3) de janeiro, com sinais de espancamento e mutilações, em uma área de mata no município de Biguaçu, próximo a Florianópolis, em Santa Catarina.

Muito abalada, Laís alegou não crer na “justiça dos homens” para punir os culpados pela morte do irmão.

“Eu não confio na justiça brasileira. A única justiça em que confio é a de Deus”, afirmou ela.

Além de Guilherme, também foram achados sem vida, junto ao jovem, Daniel Luiz da Silveira e Bruno Máximo da Silva, ambos de 28 anos, e Pedro Henrique Prado de Oliveira, de 19. Os dois primeiros foram enterrados nesta segunda-feira (5) em Guaxupé, também no Sul de Minas, enquanto o terceiro, natural de Araraquara-SP, foi sepultado em Guaranésia, onde vivia antes de se mudar para Santa Catarina.

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O quarteto foi visto pela última vez por câmeras de segurança em frente ao apartamento onde moravam, na cidade de São José, na mesma região. Os jovens deixaram de fazer contato com familiares em Guaxupé e Guaranésia no domingo, dia 28 de dezembro, ficando sete dias desaparecidos.

Os corpos foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML) durante a madrugada de domingo (4).

O desaparecimento dos jovens em Santa Catarina

Em entrevista concedida à reportagem da Itatiaia no dia 2 de janeiro, Laís Almeida, contou que o jovem havia se mudado para a cidade e que começaria a trabalhar nesta segunda-feira (5). Ela relatou ainda que Guilherme trabalhava na área de solda e que iria morar com Daniel, Bruno e Pedro, em São José.

Os quatro foram vistos pela última vez no domingo (28), no Centro de Florianópolis. Câmeras de segurança registraram os amigos em frente ao apartamento onde moravam. Conforme a irmã da vítima, a própria família registrou um Boletim de Ocorrência (BO) e conseguiu as imagens dos jovens.

Os corpos foram encontrados abandonados às margens de uma estrada no bairro Fundos, já em estado de decomposição. Os jovens estavam amarrados e mutilados. Daniel, Bruno, Guilherme e Pedro conversaram com a mãe de um deles no sábado (27), por videochamada, e estavam em uma praia.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil de Santa Catarina e questionou o órgão sobre possíveis avanços no caso e se havia alguma suspeita em relação ao crime, mas a resposta foi a mesma, por meio de uma nota enviada neste domingo (4). Confira o comunicado na íntegra:

“A Polícia Científica de Santa Catarina identificou os corpos encontrados no último sábado (3), em Biguaçu. As equipes de medicina legal e local de crime fizeram a remoção dos corpos que passaram pelos procedimentos de necropsia e identificação, realizados pelos setores de papiloscopia e antropologia.

Foi confirmado que os corpos são de B.M.S., de 28 anos; D.L.S., de 28 anos; G.M.A., de 20 anos e P.H.P.O. de 19 anos. A Polícia Científica de Santa Catarina reafirma seu compromisso com a busca pela verdade, a promoção da justiça e a defesa da cidadania”.

Maic Costa é jornalista, formado pela UFOP em 2019 e um filho do interior de Minas Gerais. Atuou em diversos veículos, especialmente nas editorias de cidades e esportes, mas com trabalhos também em política, alimentação, cultura e entretenimento. Agraciado com o Prêmio Amagis de Jornalismo, em 2022. Atualmente é repórter de cidades na Itatiaia.

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