Chuva: MG tem quase a metade das mortes ocorridas nas enchentes de 2024 no RS

Enquanto no RS as enchentes afetaram 478 das 497 cidades, a tragédia de MG se concentra na Região da Zona da Mata

Chuvas mataram mais de 250 pessoas em Minas e no RS

O número de mortes em Minas Gerais por causa da chuva em 2026 atinge quase a metade dos óbitos registrados nas enchentes devastadoras que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024.

Balanço da Defesa Civil de Minas Gerais, atualizado nesta terça-feira (3), aponta 85 mortes. Já no Rio Grande do Sul houve 184 óbitos. Ou seja, Minas registra 46% das mortes ocorridas no Sul do Brasil há dois anos. Mais de 250 pessoas perderam a vida nas duas tragédias.

Uma diferença marca as duas tragédias: enquanto no Rio Grande do Sul as enchentes afetaram 478 das 497 cidades do estado, a tragédia de Minas se concentra na Região da Zona da Mata, especialmente em Juiz de Fora e Ubá, municípios que tiveram 65 e sete óbitos confirmados, respectivamente.

Uma pessoa ainda está desaparecida em Ubá. Luciano Franklin Fernandes, de 50 anos, foi levado pela enchente. Luciano é namorado da mulher que ficou três horas abraçada a um poste para não ser arrastada pela enxurrada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve na Zona da Mata no último sábado (28) e revelou que o governo vai usar a experiência em razão da tragédia no Sul para ajudar na reconstrução em Minas.

“Aprendemos com a tragédia no Rio Grande do Sul. Vamos ajudar os prefeitos a recuperar suas cidades, vamos ajudar os pequenos empresários a ter crédito para recuperar suas empresas e vamos dar casa para as pessoas que perderam suas casas”, declarou Lula.

Lula determinou a criação de um escritório federal em Juiz de Fora para acelerar os trabalhos de reconstrução. Uma medida adotada no RS que será repetida é a construção das casas fora de locais considerados de risco, como encostas.

Caso o município não disponha de terrenos adequados, o governo poderá adotar o modelo de “compra assistida”, quando a família que perdeu o imóvel recebe um valor do governo federal e pode adquirir uma casa nova ou usada em qualquer cidade do estado. “Se a cidade não tiver terreno, vamos arrumar. Se não tiver, vamos adotar o sistema de compra assistida”, afirmou Lula.

“A vida a gente não consegue trazer de volta. Mas podemos garantir que as pessoas tenham perspectiva e dignidade para recomeçar”, concluiu.

Chuva na Zona da Mata deixou rastro de destruição

Chuvas muito acima da média

A chuva histórica na Zona da Mata foi registrada na noite de segunda-feira (23). Ainda na madrugada de terça (24), a Prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade pública diante da gravidade das chuvas intensas e persistentes que atingem o município. Segundo a administração municipal, o volume acumulado chegou a 584 milímetros, tornando fevereiro o mês mais chuvoso da história da cidade.

Em alguns bairros, o acumulado em poucas horas foi extremo, com pico de cerca de 186,1 milímetros no bairro Nossa Senhora de Lourdes e registros entre 130 mm e 170 mm em outras regiões.

A situação provocou transbordamentos históricos, com o Rio Paraibuna fora da calha, córregos cheios, bairros ilhados e, até o momento, 20 registros de soterramentos, principalmente na região Sudeste do município.

Semelhança

As recentes chuvas intensas que atingiram Minas Gerais, com destaque para a Zona da Mata, apresentam uma semelhança meteorológica crucial com as grandes precipitações que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024, como explica Lucas Oliver, professor de Geografia e cientista do clima.

Chuva de 2024 deixou rastro de destruição no RS

O principal ponto de convergência entre os dois eventos é a atuação dos jatos de baixos níveis. Segundo Oliver, esses sistemas são responsáveis por transportar uma vasta quantidade de umidade da Amazônia para outras regiões. No caso do Rio Grande do Sul em 2024, esses jatos foram o fator determinante para o volume extremo de chuva; desta vez, o mesmo mecanismo direcionou a umidade para o Sudeste, concentrando-se sobre Minas.

“Esses jatos de baixos quando provocam muita chuva, como as chuvas que ocorreram no Rio Grande do Sul em 2024. Dessa vez eles estavam aqui sobre Minas Gerais. Então, a gente teve uma série de conjuntos de sistemas que levaram a essa chuva, principalmente na Zona da Mata mineira”, disse.

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Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.

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