BH tem média de 10 casos de aneurisma por dia e cinco mortes por mês

Em 2025, Belo Horizonte já soma 3.734 atendimentos por aneurisma e 68 mortes registradas na rede pública de saúde

Criança foi levada para o Hospital Odilon Behrens

A morte da sambista e compositora Adriana Araújo, de 49 anos, acendeu o alerta para o aneurisma cerebral. Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, nesta terça-feira (3), mostram que, em 2025, foram registrados 68* óbitos por aneurisma na capital e 3.734* atendimentos relacionados ao problema — uma média de 10 casos por dia na rede pública.

De acordo com a pasta, ainda não há dados consolidados para este ano. Em 2024, foram contabilizados 3.472 atendimentos e 76 óbitos.

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O médico neurologista Guilherme Cunha M. Santos explica que o maior risco de morte está associado à ruptura do aneurisma.

“A taxa de mortalidade é alta: aproximadamente 30% a 50% dos pacientes podem evoluir para óbito, e muitos dos sobreviventes ficam com sequelas neurológicas importantes”, afirmou.

Ele detalhou que, quando ocorre a ruptura, o quadro pode se agravar rapidamente. “Quando ocorre a ruptura do aneurisma, há um sangramento súbito dentro do crânio. Isso provoca aumento rápido da pressão na cabeça, reduz o fluxo de sangue para o cérebro e causa lesão direta no tecido cerebral”, disse, destacando que se trata de uma das emergências neurológicas mais graves.

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O que é aneurisma?

De acordo com o neurologista Guilherme, um aneurisma é uma dilatação anormal de uma artéria, como se fosse uma ‘bolha’ que se forma na parede do vaso sanguíneo.

''Isso acontece porque a parede da artéria fica enfraquecida e, com a pressão do sangue ao longo do tempo, essa área fragilizada pode crescer. O grande risco é que, em alguns casos, essa dilatação pode se romper, provocando um sangramento grave”.

Ele explica que os tipos mais comuns são o aneurisma cerebral, que ocorre nas artérias do cérebro; o aneurisma da aorta abdominal, que acomete a principal artéria do corpo na região do abdômen; e o aneurisma da aorta torácica, localizado na parte da aorta que passa pelo tórax.

Fatores de risco

Segundo o especialista, não existe uma causa única, mas sim um conjunto de fatores de risco. “Os principais são pressão alta, tabagismo — que é um dos fatores mais importantes —, histórico familiar, envelhecimento, aterosclerose e algumas doenças genéticas do tecido conjuntivo.”

Ele ressalta ainda que, no caso dos aneurismas cerebrais, “muitas pessoas convivem com pequenas dilatações sem saber, porque geralmente não causam sintomas. O problema maior acontece quando há ruptura”.

Quando procurar ajuda?

O médico explica que na maioria das vezes, aneurismas que não se romperam não provocam sintomas. ''O quadro se torna extremamente grave quando ocorre a ruptura. O sintoma clássico do aneurisma cerebral rompido é uma dor de cabeça súbita e extremamente intensa, muitas vezes descrita pelo próprio paciente como ‘a pior dor de cabeça da minha vida’”.

Ele detalha que essa dor pode vir acompanhada de náuseas, vômitos, rigidez no pescoço, sensibilidade à luz, confusão mental, convulsões e até perda de consciência.

Diagnóstico e tratamento

Sobre o tratamento, ele afirma que tudo depende do tamanho, da localização e do risco de ruptura. “No caso dos aneurismas cerebrais, existem duas abordagens principais: a cirurgia aberta, chamada clipagem, e o tratamento endovascular, que é feito por dentro dos vasos, com a colocação de molas ou stents para excluir o aneurisma da circulação.”

Ele destaca ainda que, “quando já houve ruptura, além de tratar o aneurisma em si, é necessário controlar a pressão intracraniana, prevenir complicações como o vasoespasmo — que é a contração das artérias cerebrais — e manter o paciente sob cuidados intensivos em UTI”.

*dados parciais, sujeitos a alterações. O prazo para registrar o óbito no Sistema de Informação da Mortalidade (SIM) depende de finalização de investigação e envio das informações para a Secretaria Municipal de Saúde.

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e pós-graduado em Jornalismo nos Ambientes Digitais pela mesma instituição. Possui experiência como repórter, produtor e coordenador de telejornal.

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