“Quero relatar a solidariedade da própria comunidade no momento em que tudo aconteceu. Foram nove casas que desceram e se engavetaram, uma sobre a outra. A comunidade se mobilizou imediatamente.”
Esse foi o relato da prefeita Margarida Salomão, de Juiz de Fora, na Zona da Mata, no início da tarde desta terça-feira (24), sobre o deslizamento ocorrido na Rua Natalino José de Paula, no bairro Costa Carvalho, onde o morro desabou sobre as residências.
Durante a madrugada, o município já havia decretado estado de calamidade. Até o momento
“Ainda há um número de pessoas não localizadas — não oficialmente desaparecidas. São pessoas sobre as quais não se tem certeza se estavam nos locais atingidos ou se já haviam deixado as áreas afetadas. Elas seguem sendo investigadas e procuradas”, explicou.
Chuva histórica
Mais cedo, a prefeitura informou que bairros da cidade registraram acumulados de até quase 190 milímetros somente nesta segunda-feira (23).
O maior volume ocorreu no bairro Nossa Senhora de Lourdes (186 mm), seguido por Santa Rita (172,7 mm) e Distrito Industrial (161,2 mm). Para se ter uma ideia, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a média histórica de chuva para fevereiro no município é de 170,3 mm, valor alcançado em poucas horas.
“Tivemos uma situação absolutamente extraordinária ao longo do mês de fevereiro, especialmente no dia de ontem”, disse a prefeita em coletiva de imprensa.
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Mortes em Ubá
Em Ubá, cidade vizinha de Juiz de Fora, foram registradas seis mortes.
As equipes de resgate estão distribuídas para atender os pontos mais críticos da Zona da Mata: em Juiz de Fora, 108 bombeiros atuam no terreno, onde o grande volume de terra deslocada e o transbordamento do Rio Paraibuna criaram diversos cenários de busca, enquanto em Ubá, 28 militares trabalham principalmente nas áreas afetadas pela destruição de pontes e pelo transbordamento do rio local.
A cidade de Matias Barbosa também está totalmente ilhada pela água. Ainda não há informações sobre desalojados e desabrigados nas duas regiões.