A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito sobre a morte da personal shopper
1. Histórico de violência e o crime no apartamento
A cronologia da tragédia começa meses antes do feminicídio. Imagens recuperadas pela perícia mostram que, em agosto, Alison já agredia Henay com socos dentro do apartamento do casal, no bairro Nova Suíça, em Belo Horizonte. Sete minutos após um desses ataques, a própria vítima filmou o agressor retirando o cartão de memória da câmera de segurança para apagar provas.
Na noite de 13 de dezembro, o crime foi consumado. Durante uma discussão,
“Ele sabia o que fazia, era síndico do prédio e tinha total controle sobre as câmeras de segurança. Descobrimos também uma câmera interna no apartamento. Ele tentou ocultar imagens, mas conseguimos registros que mostram momentos em que ele agrediu Henay”, contou o delegado Flávio Destro.
2. O transporte do corpo e o flagra no pedágio
Na manhã do dia 14 de dezembro, Alison colocou o corpo de Henay no banco do motorista de seu veículo. Para deixar a capital, ele sentou-se
Eles foram flagrados em uma praça de pedágio na MG-050. Uma funcionária percebeu que a mulher ao volante estava completamente imóvel. Ao ser questionado, Alison — que apresentava arranhões recentes no rosto — demonstrou extremo nervosismo, afirmou que a namorada estava apenas passando mal e fugiu do local em alta velocidade.
3. A simulação do acidente
Apenas nove minutos após passar pelo pedágio, no km 90 da rodovia, o investigado lançou o carro propositalmente contra um micro-ônibus de turismo. O objetivo era forjar uma morte por acidente de trânsito. Contudo, a necropsia revelou que Henay já estava morta antes da colisão, com sinais claros de asfixia.
4. Frieza e premeditação
A investigação revelou que o crime foi tecnicamente planejado. No celular de Alison, a polícia encontrou buscas por:
- Acidentes de trânsito fatais;
- Jurisprudência de casos similares;
- Estudos de medicina legal sobre fenômenos de asfixia.
“Ele buscava informações técnicas e jurídicas para construir sua defesa antes mesmo de simular o acidente”, afirmou Destro.
5. Prisão e indiciamento
Alison de Araújo Mesquita foi preso em flagrante durante o velório da vítima, após os policiais notarem as lesões de defesa (arranhões) deixadas por Henay. Ele foi indiciado por feminicídio qualificado e fraude processual e segue à disposição da Justiça.