Caso Henay: vídeo da PC mostra linha do tempo do feminicídio com acidente forjado

Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, matou a namorada Henay Rosa Amorim, de 31 anos, no dia 13 de dezembro e forjou acidente no dia seguinte na MG-050

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito sobre a morte da personal shopper Henay Rosa Amorim, de 31 anos. O que parecia ser um acidente fatal na rodovia MG-050, em Itaúna, no dia 14 de dezembro do ano passado, foi desmascarado como um feminicídio planejado. Um vídeo divulgado pela PC mostra a dinâmica completa do crime cometido por Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos. Ele está preso desde o velório da vítima.

1. Histórico de violência e o crime no apartamento

A cronologia da tragédia começa meses antes do feminicídio. Imagens recuperadas pela perícia mostram que, em agosto, Alison já agredia Henay com socos dentro do apartamento do casal, no bairro Nova Suíça, em Belo Horizonte. Sete minutos após um desses ataques, a própria vítima filmou o agressor retirando o cartão de memória da câmera de segurança para apagar provas.

Na noite de 13 de dezembro, o crime foi consumado. Durante uma discussão, Alison asfixiou Henay até a morte. Como era síndico do prédio, ele acreditava ter controle total sobre as câmeras de monitoramento, mas os registros capturaram o momento em que ele arrastou o corpo da namorada, envolto em um colchão, até a garagem.

“Ele sabia o que fazia, era síndico do prédio e tinha total controle sobre as câmeras de segurança. Descobrimos também uma câmera interna no apartamento. Ele tentou ocultar imagens, mas conseguimos registros que mostram momentos em que ele agrediu Henay”, contou o delegado Flávio Destro.

2. O transporte do corpo e o flagra no pedágio

Na manhã do dia 14 de dezembro, Alison colocou o corpo de Henay no banco do motorista de seu veículo. Para deixar a capital, ele sentou-se no banco do passageiro e, operou o carro a partir daquela posição.

Eles foram flagrados em uma praça de pedágio na MG-050. Uma funcionária percebeu que a mulher ao volante estava completamente imóvel. Ao ser questionado, Alison — que apresentava arranhões recentes no rosto — demonstrou extremo nervosismo, afirmou que a namorada estava apenas passando mal e fugiu do local em alta velocidade.

3. A simulação do acidente

Apenas nove minutos após passar pelo pedágio, no km 90 da rodovia, o investigado lançou o carro propositalmente contra um micro-ônibus de turismo. O objetivo era forjar uma morte por acidente de trânsito. Contudo, a necropsia revelou que Henay já estava morta antes da colisão, com sinais claros de asfixia.

4. Frieza e premeditação

A investigação revelou que o crime foi tecnicamente planejado. No celular de Alison, a polícia encontrou buscas por:

  • Acidentes de trânsito fatais;
  • Jurisprudência de casos similares;
  • Estudos de medicina legal sobre fenômenos de asfixia.

“Ele buscava informações técnicas e jurídicas para construir sua defesa antes mesmo de simular o acidente”, afirmou Destro.

5. Prisão e indiciamento

Alison de Araújo Mesquita foi preso em flagrante durante o velório da vítima, após os policiais notarem as lesões de defesa (arranhões) deixadas por Henay. Ele foi indiciado por feminicídio qualificado e fraude processual e segue à disposição da Justiça.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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