BH deve iniciar 2026 com a segunda passagem de ônibus mais cara entre as capitais

Capital mineira só irá deixar a segunda posição caso outra capital ou o Distrito Federal anuncie um aumento que ultrapasse o valor de R$ 6,25

Imagem de um ônibus da linha Move em Belo Horizonte

Belo Horizonte deve iniciar 2026 com a segunda passagem de ônibus mais cara entre as capitais no Brasil. O reajuste de R$ 0,50, equivalente a 8,6%, foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) nesta terça-feira (30) e eleva a tarifa de R$ 5,75 para R$ 6,25. Com o aumento, o valor salta da quarta para a segunda colocação no ranking das tarifas mais caras do país, ficando atrás apenas de Florianópolis (SC), onde a passagem custa R$ 7,70.

O levantamento, feito pela reportagem da Itatiaia, considera os novos valores já anunciados pelas capitais que confirmaram reajustes nas tarifas de ônibus para 2026 (Belo Horizonte, Fortaleza, Florianópolis, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). Belo Horizonte só irá deixar a segunda posição caso outra capital ou o Distrito Federal anuncie um aumento que ultrapasse o valor de R$ 6,25.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que o reajuste anual da tarifa do transporte coletivo está previsto na Lei 11.458/2023. O cálculo, conforme nota, é realizado com base na metodologia da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP).

“A análise considera custos operacionais como combustível, lubrificantes, pneus, peças e acessórios, além de despesas com pessoal, licenciamento, depreciação, remuneração da frota e tributos. Além de previsto em contrato, o reajuste é necessário para garantir a continuidade dos investimentos no sistema e a manutenção e ampliação das melhorias no transporte público”, destacou.

Questionamentos

Como informado, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) manifestou preocupação com os novos valores definidos em portaria da Superintendência de Mobilidade do Município (Sumob). Segundo a entidade, “o ajuste determinado é excessivamente alto, tendo em vista a evolução de outros indicadores econômicos no período”.

Usuários do transporte público da capital mineira também questionaram o aumento. “Desse jeito a gente não aguenta mais. Aumenta tudo, mais R$ 0,50 agora. Eu trabalho muito, sou gari, e acho um absurdo esse aumento. A situação fica cada vez mais difícil”, afirmou o gari Sidney Rodrigo de Freitas, de 50 anos, à reportagem.

Para a babá Ana Carla Silva Andrade, de 34 anos, o reajuste das tarifas não é condizente com o serviço ofertado. “Acho um absurdo, porque eles aumentam a passagem, mas não melhoram a frota, não melhoram a qualidade dos ônibus e nem colocam cobrador. A qualidade é péssima e não justifica esse reajuste”, disse.

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Sindicato das Empresas de Ônibus em BH

Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) informou que o reajuste da tarifa do transporte coletivo por ônibus é “uma decisão que compete exclusivamente ao poder concedente, conforme previsto nos contratos de concessão e na legislação vigente”.

“O SetraBH e as empresas operadoras não definem o valor da tarifa. Sua atuação está voltada à execução do serviço, ao cumprimento das determinações do poder concedente e à garantia da operação diária do transporte coletivo. O transporte por ônibus é um serviço público essencial e sua continuidade depende de decisões estruturais que envolvem planejamento, regulação e responsabilidade institucional do ente concedente”, destaca o texto.

Novo valor das tarifas

O novo valor da tarifa de ônibus em Belo Horizonte entra em vigor a partir da próxima quinta-feira (1º de janeiro). Os ônibus que operam no transporte metropolitano também terão reajuste de 8,93%. Com isso, o valor das passagens dos coletivos que atendem cidades como Ribeirão das Neves, Santa Luzia, Contagem e Ibirité sobe de R$ 8,20 para R$ 8,95 a partir de 9 de janeiro.

Veja o ranking

  1. Florianópolis – R$ 7,70
  2. Belo Horizonte – R$ 6,25
  3. Manaus – R$ 6,00
  4. Curitiba – R$ 6,00
  5. Salvador – R$ 5,60
  6. Brasília – R$ 5,50
  7. Boa Vista – R$ 5,50
  8. Fortaleza – R$ 5,40
  9. São Paulo – R$ 5,30
  10. João Pessoa – R$ 5,20
  11. Rio de Janeiro – R$ 5,00
  12. Porto Alegre – R$ 5,00
  13. Cuiabá – R$ 4,95
  14. Campo Grande – R$ 4,95
  15. Vitória – R$ 4,90
  16. Natal – R$ 4,90
  17. Palmas – R$ 4,85
  18. Belém – R$ 4,60
  19. Aracaju – R$ 4,50
  20. Goiânia – R$ 4,30
  21. Recife – R$ 4,30
  22. São Luís – R$ 4,20
  23. Maceió – R$ 4,00
  24. Teresina – R$ 4,00
  25. Macapá – R$ 3,70
  26. Rio Branco – R$ 3,50
  27. Porto Velho – R$ 3,00

Confira a nota da Prefeitura de Belo Horizonte na íntegra

“A Prefeitura de Belo Horizonte informa que o reajuste anual da tarifa do transporte coletivo está previsto na Lei 11.458/2023 e está vinculado à estimativa de custeio do sistema para o exercício seguinte. O cálculo é realizado com base na metodologia da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP).

A análise considera custos operacionais como combustível, lubrificantes, pneus, peças e acessórios, além de despesas com pessoal, licenciamento, depreciação, remuneração da frota e tributos. Além de previsto em contrato, o reajuste é necessário para garantir a continuidade dos investimentos no sistema e a manutenção e ampliação das melhorias no transporte público.

Em um esforço da gestão financeira do município, foi possível manter para 2026 o mesmo reajuste aplicado neste ano, de R$ 0,50.

Para reduzir o impacto para os usuários, o complemento da tarifa continuará sendo custeado pela Prefeitura de Belo Horizonte, conforme previsto na Lei 11.458. Cabe ressaltar que, sem esse subsídio, o valor da tarifa do transporte público seria de R$ 10,30.

Desde 2023, o modelo de remuneração do sistema é baseado no pagamento por quilômetro rodado, condicionado ao cumprimento de exigências legais, como o respeito ao quadro de horários, à quantidade de viagens e aos padrões de qualidade da frota”.

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Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e pós-graduado em Jornalismo nos Ambientes Digitais pela mesma instituição. Possui experiência como repórter, produtor e coordenador de telejornal.

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