Alunos constroem foguete e representam a UFMG em olimpíada internacional
Com um foguete construído do zero por estudantes, a equipe Fênix UFMG conquistou posição de destaque na LASC 2025, maior competição de foguetemodelismo da América Latina; agora vão em busca de uma nova premiação na edição 2026

Eles ainda não chegaram ao espaço, mas já colocaram Minas Gerais bem perto dele. Durante os dias 02 a 05 de setembro, a Fênix Estudos Astronáuticos vai competir na 7ª edição da Latin American Space Challenge (LASC). A equipe, que representa a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em competições nacionais e internacionais na área do foguetemodelismo, participará de duas categorias ao longo da competição neste ano de 2026.
A equipe, formada por cerca de 50 alunos da graduação, em sua maioria do curso de Engenharia Aeroespacial, conseguiu um dos resultados mais expressivos da história da universidade no desenvolvimento de projetos em 2025, com um foguete na categoria de 3 KM. Agora, os alunos apostam em uma nova categoria, 1km Solid Propulsion, com uma grande inovação: a introdução de um freio aerodinâmico no sistema do foguete, denominado Harpia.
De acordo com a equipe, essa tecnologia será incorporada como um módulo integrado ao foguete e sua atuação ocorrerá durante a fase de subida não propulsada ao longo do voo. A exposição de tais superfícies ao escoamento possibilitará o aumento da resistência do ar (arrasto aerodinâmico) e reduzirá a velocidade da aeronave sem alterar significativamente a sustentação da mesma, o que possibilita uma maior precisão do apogeu atingido pelo foguete.
Os universitários ainda vão manter a inscrição na categoria de 3KM, agora com uma versão aprimorada e revisada do projeto que já foi premiado anteriormente, batizado atualmente como TUCANO II.
O projeto universitário que ganhou uma premiação internacional
Batizado de “Tucano”, o foguete que levou a equipe à premiação de 2025 é resultado de meses de desenvolvimento técnico e trabalho colaborativo. O projeto envolveu desde a modelagem e simulação de voo até a construção da estrutura, integração dos sistemas eletrônicos e testes de segurança e recuperação.
Após 19 meses de trabalho, incluindo voos testes onde o projeto alcançou 1000 km em 2,4 segundos, o foguete alcançou um apogeu de 3.142 km em um voo nominal, que retornou à base em perfeita segurança. O foguete levava a bordo um satélite em parceria com outra equipe de competição da UFMG, responsável pela produção e desenvolvimento do equipamento, a Czar Space.
A Fênix foi premiada na categoria de 3KM, e o “Tucano” levou o título de 2ND PLACE, o segundo lugar de melhor prestígio da competição, representando não só a UFMG mas o Brasil dentre potências mundiais do foguetemodelismo. A equipe também se tornou exemplo de inovação na área da comunicação e marketing. O “Tucano” foi o primeiro foguete da competição a levar uma câmera a bordo durante o voo, equipamento que registrou o momento do início ao fim. Veja o vídeo a seguir:
Alunos constroem foguete e representam a UFMG em olimpíada internacional
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📹 Imagens cedidas à Itatiaia pic.twitter.com/F2Tj9QbVtN— Itatiaia (@itatiaia) September 2, 2026
Em 2023, a equipe também foi premiada na Latin American Space Challenge, recebendo a primeira colocação na categoria “1km Solid Propulsion” com o foguete Guará, além do segundo lugar no Overall e o inédito “Juan Pablo Rengifo Award for Flight”, por ter alcançado o apogeu exato na competição. Esse último feito trouxe reconhecimento da Associação Brasileira de Minifoguetes (BAR) como a única equipe de foguetemodelismo com erro nulo no atingimento de apogeu utilizado motor experimental.
A inovação tecnológica e educacional vai de encontro com os desafios de desenvolvimento científico do país
O Brasil enfrenta há décadas o desafio de equilibrar potencial acadêmico com restrições orçamentárias. Segundo dados do Ministério de Ciência, Tecnologia e Educação (MCTI), via levantamento do Ipea em agosto de 2025, os investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) como proporção do PIB andam em torno de 1,19%, bem abaixo da média dos países de alta renda, que ultrapassam 2,5%.
O acadêmico e ex-gerente de projetos do foguete Tucano, Normando Dutra, afirma que muitas equipes do país acabam limitadas pelo orçamento. “As condições de cada equipe variam muito no Brasil, algumas poucas recebem dinheiro da universidade e tem muitos patrocinadores, mas pra maioria sempre falta dinheiro. A maior dificuldade no Brasil é essa. Para efeito de comparação, onde estudei aqui na França as equipes recebem milhares de euros por ano da universidade, o que elimina boa parte dos desafios que a gente passa. Os projetos em si já são bem caros, na Fênix sempre foi muito difícil, o que sempre salvou foram os patrocinadores e a mobilização dos próprios membros em arrecadar com vendas, rifas e dinheiro próprio”, explica o estudante de engenharia aeroespacial, que atualmente faz intercâmbio na INSA Lyon, universidade na França, com o apoio da UFMG.
Em entrevista à Itatiaia, Elyan Lima Ramos, que também foi gerente responsável pelo projeto do foguete premiado em 2025, conta a diferença que a equipe Fênix fez na jornada acadêmica que ele trilhou. “A Fênix teve um papel transformador na minha formação. Ter atuado como Gerente de Projetos e trabalhado diretamente no subsistema de propulsão da equipe me proporcionou uma grande evolução na vida pessoal e acadêmica. As conquistas do 2º lugar geral na Latin American Space Challenge (LASC) do ano passado e do ano de 2023 mostram a consolidação do esforço e conhecimento aplicado à projetos reais”, destaca o estudante, que também cursa engenharia aeroespacial pela UFMG, se encontra em uma dupla diplomação na universidade de ENSTA Paris, na França.

Sob supervisão de Marcello Pereira.
Graduanda em Jornalismo pela UFMG, Maria Eduarda é estagiária do Portal Itatiaia. Apaixonada pela comunicação e dedicada a conhecer e contar histórias, possui experiência na redação da TV Alterosa, dos Diários Associados.























