Abandonado há 17 anos, antigo prédio da Escola de Engenharia da UFMG ganhará novo destino
refeitura prevê praça, lojas, restaurantes e três edifícios para uso institucional no Centro de BH

Abandonado há 17 anos, o antigo complexo da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no centro de Belo Horizonte, deve ganhar uma nova utilização. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) apresentou à Superintendência do Patrimônio da União (SPU) um plano que prevê a transformação do espaço em um complexo com três edifícios institucionais, uma praça, pátio interno e áreas destinadas a comércio e serviços.
O conjunto, localizado na Rua Espírito Santo, nº 35, está em processo final de transferência para o município. Atualmente, a Prefeitura possui a guarda provisória do imóvel. A expectativa é que a cessão definitiva seja formalizada após o período eleitoral. De acordo com o secretário de Política Urbana de Belo Horizonte, Leonardo Castro, a proposta integra as ações do município para a requalificação da região central.
“Apresentamos uma proposta de utilização dos edifícios da Escola de Engenharia para contribuir com o processo de requalificação do Centro, para dar uma nova ocupação para esse prédio que já está abandonado há muitos anos”, afirmou.
Três prédios serão demolidos
O complexo é formado por seis edifícios. Pela proposta apresentada à SPU, três deles serão demolidos. Segundo o secretário, as estruturas não são consideradas de interesse para fins de tombamento. No espaço liberado pelas demolições, a Prefeitura pretende construir uma praça e um pátio interno que permita a integração entre a Rua dos Guaicurus, a Rua da Bahia, a Rua Espírito Santo e a Avenida dos Andradas.
A ideia é criar uma espécie de atravessamento do quarteirão, com espaços destinados a atividades culturais, lojas, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais. Nos três edifícios que permanecerem, os pavimentos superiores deverão ser destinados a secretarias e outros órgãos da Prefeitura, ainda a serem definidos. Antes da ocupação, o complexo precisará passar por um processo de retrofit, com reformas e adequações das estruturas que estão sem uso há quase duas décadas.
Investimento pode chegar a R$ 150 milhões
A estimativa inicial da Prefeitura é de que o projeto demande entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões em investimentos. O município ainda precisa concluir os estudos e definir o modelo de contratação. Segundo Leonardo Castro, a administração municipal avalia a possibilidade de estruturar uma parceria público-privada (PPP), que poderia contemplar não apenas a execução das obras, mas também a manutenção do complexo ao longo dos anos.
“Vai ser necessário um processo de licitação. A gente está desenhando uma estrutura de parceria público-privada para que consiga ter um investimento não só na construção, não só na reforma, mas também na manutenção dessa estrutura”, explicou. A previsão é que os estudos sejam concluídos em aproximadamente um ano. Depois disso, a estimativa é de mais um ano e meio para a execução das obras. O cronograma total, portanto, pode chegar a dois anos e meio.
Espaço poderá receber 2,4 mil servidores
Além de recuperar uma área atualmente abandonada, a Prefeitura espera que a nova ocupação contribua para movimentar o Centro de Belo Horizonte. A estimativa é de que até 2,4 mil servidores municipais possam trabalhar no complexo. A presença dos funcionários, segundo a administração, também deve aumentar a demanda por serviços e comércio na região, como restaurantes, padarias e farmácias.
“A gente quer dar uma utilização para os edifícios existentes, mas fazer isso com uma externalidade positiva para a cidade. Nós imaginamos que a gente pode conseguir colocar ali até 2.400 servidores da Prefeitura”, disse o secretário.
Projeto faz parte da requalificação do Centro
Para Leonardo Castro, a recuperação do antigo complexo da Escola de Engenharia está inserida em um conjunto de ações para tentar reverter a perda de moradores da região central. Segundo dados dos Censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados pelo secretário, o Centro perdeu 11% dos habitantes entre 2010 e 2022.
“A gente precisa reverter esse processo. Belo Horizonte tem investido muito, tanto com incentivos para a atuação do mercado imobiliário, para a construção de novas habitações, para o retrofit de edifícios ociosos, como a própria Prefeitura tem feito muitos investimentos na área central”, afirmou.
A proposta para o antigo prédio da Escola de Engenharia, segundo o secretário, busca conciliar a ocupação institucional do imóvel com a criação de novos espaços públicos e atividades comerciais, ampliando a circulação de pessoas e contribuindo para a revitalização da área central.
Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, trabalhou na produção de matérias para a rádio, na Central Itatiaia de Apuração e foi produtora do programa Itatiaia Patrulha. Atualmente, cobre factual e é repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



