Aulas da UFOP em João Monlevade são retomadas; suspensão foi motivada por ameaças de aluno
Atividades de ensino haviam sido suspensas na última quinta-feira (27)

As aulas do Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (Icea), campus da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) localizado em João Monlevade, foram retomadas nesta quarta-feira (2). As atividades de ensino haviam sido suspensas na última quinta-feira (27), após um aluno descumprir medidas cautelares e ameaçar outros estudantes, professores e o diretor da universidade, conforme divulgou a instituição. O caso tramita na Justiça Federal.
“Em reunião na tarde da última segunda-feira (31) a Polícia Militar se comprometeu a intensificar o policiamento no entorno do campus e manter contato direto com a Diretoria do Instituto. A UFOP também vai reforçar a segurança interna do campus”, informou a universidade em nota publicada nas redes sociais.
A instituição afirmou ainda que a reitoria e a diretoria do Icea vão continuar acompanhando o processo judicial, que foi remetido à Justiça Federal. A universidade também reiterou que as aulas foram suspensas com o “objetivo de garantir a segurança da comunidade acadêmica.”
Um estudante da UFOP, que preferiu não se identificar, afirmou à Itatiaia que a sensação que prevalece é a de impunidade. “Embora a direção do ICEA e a reitoria da UFOP tenham adotado medidas mitigadoras, incluindo a suspensão do aluno, nada o impede fisicamente de atravessar os portões. Mesmo diante do risco real e iminente à vida de acadêmicos, professores e funcionários, o agressor segue solto, impondo um clima de profunda insegurança no campus e nas redondezas”, disse.
Para ele, a comunidade exige respostas severas da justiça. “Afinal, além das ameaças explícitas de morte, dos ataques racistas e dos discursos de feminicídio, o que mais precisa acontecer? Um crime físico terá que se concretizar? Alguém precisará morrer para que a justiça finalmente aja?”, questionou o jovem.
Início das ameaças
Em nota, a universidade informou que as ameaças por parte do estudante tiveram início no primeiro semestre deste ano. Alunos da UFOP relataram à Itatiaia que o estudante era confrontado por colegas sobre falas de ódio, incluindo ataques racistas, o que fez com que ele começasse a ameaçar discentes e até o diretor da universidade.
“As pessoas passaram a retrucar na intenção de corrigir aquele comportamento e ele passou a ameaçar, principalmente uma aluna do Icea e inclusive o próprio diretor do Icea. Assim que medidas foram tomadas, ele continuou a ameaçar, mandar áudios com discursos de ódio, transgredindo qualquer tipo de comportamento social, ainda mais dentro da faculdade”, contou um estudante, que não será identificado por segurança.
Diante disso, a universidade aplicou uma medida administrativa, que impedia o estudante de participar presencialmente das atividades acadêmicas e de frequentar os espaços do campus. No entanto, estudantes relatam que as ameaças se intensificaram após a suspensão do aluno. “Como forma de retaliação, agora ele segue intensificando as ameaças, áudios que possuem o teor de assassinato e feminicidio”, disse um estudante.
Prisão
De acordo com o processo que envolve o estudante, ele teria ido até a UFOP, em data não especificada, e, por estar “insatisfeito com sua suspensão”, teria proferido ameaças contra funcionários, o diretor e o reitor da instituição. Na ocasião, ele foi preso em flagrante.
Em 14 de agosto, a juíza Anna Carolina Goulart Martins e Silva, da Vara Criminal da Comarca de João Monlevade, homologou a prisão em flagrante do estudante e concedeu liberdade provisória a ele, além de estabelecer as seguintes medidas cautelares:
- Proibição de acesso e frequência ao Campus da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em João Monlevade/MG, bem como às suas dependências administrativas, acadêmicas e anexos
- Proibição de manter contato, por qualquer meio, inclusive presencial, telefônico, eletrônico, por mensagens, redes sociais ou por intermédio de terceiros, com as vítimas [três pessoas, incluindo o diretor]
- Proibição de aproximar-se das pessoas indicadas a menos de 500 metros
- Comparecimento bimestral em juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades
- Proibição de ausentar-se da Comarca de João Monlevade/MG por período superior a 08 (oito) dias sem prévia autorização judicial
Preso novamente
Na quinta-feira (27), a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), por meio da 17ª Companhia de Polícia Militar Independente, prendeu o estudante por descumprimento de medida protetiva de urgência. Ele foi preso em flagrante, mas foi liberado.
Na ocasião, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que investiga a conduta do suspeito. "O inquérito é tratado como prioridade e novas informações serão repassadas após a conclusão do caso", afirmou a instituição.
O caso foi encaminhado à Justiça Federal na última sexta-feira (28).
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.



