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UFOP cancela aulas em João Monlevade após estudante ameaçar alunos, professores e o diretor

Estudante foi suspenso da universidade e preso em flagrante

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UFOP cancela aulas em João Monlevade após aluno ameaçar alunos, professores e o diretor • Reprodução Daniel Tulher / ICEA

Após um estudante do campus João Monlevade da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) ameaçar alunas e o diretor, as aulas da instituição foram suspensas. A informação foi divulgada nas redes sociais da universidade nessa quinta-feira (27), dia em que o estudante descumpriu medidas cautelares e foi preso pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). O aluno já havia sido preso, mas a Justiça concedeu liberdade provisória a ele mediante o cumprimento de medidas cautelares. 

“Muitos de vocês sabem que nós estamos com problema com um estudante que tem ameaçado vários colegas, inclusive a diretoria, outros professores, e que possui medida cautelar para não entrar no campus da UFOP, mas insiste em tentar entrar. No âmbito da UFOP, esse estudante já foi suspenso. No âmbito da universidade, a gente não tem mais condição de tomar outras atitudes em relação ao estudante”, afirmou o diretor da instituição, Wagner Ragi Curi Filho, em vídeo para comunicar a suspensão das aulas. 

Alunos da UFOP relataram à Itatiaia que o estudante era confrontado por colegas sobre falas de ódio, incluindo ataques racistas, o que fez com que ele começasse a ameaçar discentes e até o diretor da universidade. Em nota, a universidade informou que as ameaças tiveram início no primeiro semestre deste ano.

“As pessoas passaram a retrucar na intenção de corrigir aquele comportamento e ele passou a ameaçar, principalmente uma aluna do ICEA [Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas] e inclusive o próprio diretor do ICEA. Assim que medidas foram tomadas, ele continuou a ameaçar, mandar áudios com discursos de ódio, transgredindo qualquer tipo de comportamento social, ainda mais dentro da faculdade”, contou um estudante, que não será identificado por segurança. 

“Diante do teor e gravidade das intimidações, a UFOP aplicou medida administrativa, impedindo o estudante de participar presencialmente das atividades acadêmicas e de frequentar os espaços do campus. As pessoas ameaçadas foram orientadas, fizeram boletins de ocorrência e estão sendo acompanhadas pela UFOP”, afirmou a universidade.

Suspensão e prisão

Estudantes relatam que as ameaças se intensificaram após a suspensão do aluno. “Porém, como forma de retaliação, agora ele segue intensificando as ameaças, áudios que possuem o teor de assassinato e feminicidio”, disse um aluno. 

De acordo com o processo que envolve o estudante, ele teria ido até a UFOP, em data não especificada, e, por estar “insatisfeito com sua suspensão”, teria proferido ameaças contra funcionários, o diretor e o reitor da instituição.

“Após deixar o local, retornou ao campus e reiterou as ameaças, sendo abordado pela equipe policial. Na ocasião, desobedeceu à ordem de busca pessoal e resistiu à prisão, sendo necessária sua contenção mediante técnicas moderadas e uso de algemas. Durante a intervenção, apresentou comportamento alterado, reiterando ameaças de morte contra o diretor e o reitor. Segundo funcionários, já havia registros anteriores de ameaças e perseguições atribuídas ao investigado no ambiente universitário”, consta no documento. Na ocasião, ele foi preso em flagrante. 

Liberdade provisória

Em 14 de agosto, a juíza Anna Carolina Goulart Martins e Silva, da Vara Criminal da Comarca de João Monlevade, homologou a prisão em flagrante do estudante e concedeu liberdade provisória a ele, além de estabelecer as seguintes medidas cautelares: 

  • Proibição de acesso e frequência ao Campus da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em João Monlevade/MG, bem como às suas dependências administrativas, acadêmicas e anexos
  • Proibição de manter contato, por qualquer meio, inclusive presencial, telefônico, eletrônico, por mensagens, redes sociais ou por intermédio de terceiros, com as vítimas [três pessoas, incluindo o diretor] 
  • Proibição de aproximar-se das pessoas indicadas a menos de 500 metros
  • Comparecimento bimestral em juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades
  • Proibição de ausentar-se da Comarca de João Monlevade/MG por período superior a 08 (oito) dias sem prévia autorização judicial

Preso novamente

Nessa quinta-feira (27), a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), por meio da 17ª Companhia de Polícia Militar Independente, prendeu o estudante por descumprimento de medida protetiva de urgência. Ele foi preso em flagrante. 

A Itatiaia procurou a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) para saber se a prisão foi ratificada, assim como o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para saber se ele permanecerá preso. 

Aulas suspensas

Nessa quinta-feira (27), as aulas foram suspensas no campus João Monlevade da UFOP. “Diante desse cenário, entendemos que a suspensão temporária das atividades acadêmicas presenciais é, neste momento, a medida mais adequada, adotada de forma preventiva e visando à tranquilidade e ao bem-estar de toda a comunidade acadêmica. Pedimos desculpas pelos transtornos que, inevitavelmente, essa decisão poderá causar”, publicou a universidade. Até o momento, não há previsão de retomada das aulas. 

“Acho que todo mundo está com medo. Acho super necessário essa suspensão que teve das aulas, porque ele continuou indo no campus e ele já falou várias vezes também que não tem nada a perder. Então, assim, não é confiável ficar naquele local com ele à solta”, disse uma aluna. 

“A maioria entende e apoia a decisão por garantirem assim nossa segurança, embora, com um certo desgosto. Já que nosso calendário estava finalmente organizado, mas o pessoal está a par de que o judiciário deve tomar medidas”, disse outro aluno. 

Confira a nota do Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (Icea), unidade da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) em João Monlevade, na íntegra: 

O Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (Icea), unidade da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) em João Monlevade, suspendeu as atividades acadêmicas na última quinta-feira (27) com o objetivo de garantir a segurança da comunidade acadêmica. A medida vem de forma preventiva após uma série de ameaças feitas por um estudante a outros alunos, professores e à diretoria do instituto.

As ameaças tiveram início no primeiro semestre de 2026. Diante do teor e gravidade das intimidações, a UFOP aplicou medida administrativa, impedindo o estudante de participar presencialmente das atividades acadêmicas e de frequentar os espaços do campus. As pessoas ameaçadas foram orientadas, fizeram boletins de ocorrência e estão sendo acompanhadas pela UFOP. 

Além da medida administrativa, há uma medida cautelar judicial que proíbe a entrada do estudante no campus. Uma vez que o estudante tem descumprido essa determinação, a Universidade aguarda os encaminhamentos e as decisões das autoridades competentes. Preventivamente, a Direção do Icea e a Reitoria da UFOP determinaram a suspensão das atividades acadêmicas, de forma a garantir a segurança e o bem-estar de todos.

Por enquanto, não há determinação sobre a oferta das atividades de forma remota. Para que isso ocorra, a questão deverá ser apreciada pelo Conselho Universitário (Cuni). A Pró-Reitoria de Graduação e a Direção do Icea avaliarão as condições para retomada das aulas e a necessidade de adequações no calendário acadêmico.

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Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

 

 

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