Caso Evellyn: criança conhecia sequestradores e foi mantida em cativeiro na Grande BH
Evellyn Jasmin, de 8 anos, foi dada como morta após três anos desaparecida

A menina Evellyn Jasmin, de 8 anos, foi mantida em cativeiro em um sítio em Ravena, no distrito de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, após ser sequestrada junto com a mãe Katlyn Lorrayne, e a cabeleireira Ana Raquel Brito. De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais, a criança foi morta após os sequestradores perderem contato com o mandante do crime, o pai de Evellyn, Sildirley Silva Acácio Machado.
Na ocasião, os celulares do investigado haviam sido apreendidos por policiais penais no presídio onde ele estava detido. Ainda segundo a investigação, a menina conhecia os sequestradores, que ficaram com medo de serem reconhecidos caso libertassem ela. O trio, então, tomou a decisão de matá-la.
“A investigação revela que essa decisão foi tomada porque a menina conhecia os autores. A menina chamava, inclusive uma das mulheres, a investigada presa de tia. Era uma menina, segundo as informações, absolutamente doce e desenvolta, e ela conhecia, então, todo mundo que tava participando do seu próprio assassinato. Então, na nossa visão, eles cometeram esse crime grave para evitar que fossem descobertos caso a menina fosse colocada em liberdade”, explicou o delegado Murillo Ribeiro de Lima, responsável pela investigação.
O objetivo de Sildirley era sequestrar e cegar a mãe da criança, mas o crime saiu do controle. Em junho de 2023, criminosos armados invadiram um salão de beleza, localizado em Sabará, na Grande BH, e sequestraram Evellyn Jasmin, a mãe dela, Katlyn Lorrayne, e a cabeleireira Ana Raquel Brito.
De acordo com a PCMG, o objetivo inicial era sequestrar Katlyn Lorrayne. Na ocasião, Ana Raquel Brito tentou impedir o crime e foi golpeada com um martelo. As três foram levadas e colocadas em um carro.
“Quando eles estão se deslocando, a mãe da criança, percebendo que possivelmente o fim seria trágico, já que ela já havia sido sequestrada, inclusive violentada meses antes, ela tenta, num ato de desespero, pular desse veículo e pedir socorro para a Polícia Militar. Só que quando ela pula desse veículo, os criminosos voltam com esse automóvel, realizam vários disparos de arma de fogo e matam ela ali naquele momento”, descreveu o delegado.
Apesar da conclusão da investigação, o corpo da menina não foi encontrado.
Saiba a linha do tempo do sequestro
Antes de junho de 2023
- Rompimento e denúncias: Katlyn Lorrayne Oliveira terminou o relacionamento com o traficante Sildirley Acácio, conhecido como "Di", e passou a denunciá-lo nas redes sociais.
- Ameaças: segundo a investigação, Katlyn já havia sido sequestrada e agredida anteriormente. Ela já foi violentada e teve as duas pernas quebradas com marretadas
- Plano de fuga: diante das ameaças, Katlyn e a filha, Evellyn Jasmim, planejavam deixar Minas Gerais e ir para o Rio de Janeiro.
- Planejamento do crime: ainda segundo a polícia, Sildirley alegou ter tido um "sonho" de que deveria cegar a ex-companheira, e de dentro da prisão de segurança máxima Francisco Sá, organizou uma nova ação contra Katlyn, usando celulares clandestinos.
- Monitoramento: comparsas (Sheila, Marcos 'torosca' e Alex 'camundongo') teriam instalado um GPS no carro de Katlyn para acompanhar os deslocamentos dela.
- Um Peugeot 208 foi alugado em nome de Sheila. O grupo também teria retirado as placas do veículo, colocado insulfilm e alugado um sítio em Ravena, em Sabará.
22 de junho de 2023: o sequestro
- Invasão ao salão: Alex e Marcos invadiram o salão de beleza onde estavam Katlyn, Evellyn e a cabelereira Ana Raquel Brito.
- Violência: Ana Raquel tentou proteger Katlyn e foi golpeada na cabeça com um martelo.
Sequestro: o grupo decidiu levar as duas mulheres e a criança no carro de Katlyn. - Morte de Katlyn: durante o trajeto, ela se jogou do veículo próximo a uma unidade da PM para pedir socorro. Os criminosos retornaram e atiraram contra ela.
- Morte de Ana Raquel: a cabeleireira também foi baleada durante a fuga.
- Troca de carros: no bairro Dom Cabral, Evellyn foi colocada no Peugeot 208. O Onix foi abandonado posteriormente na BR-040, com o corpo de Ana Raquel.
- Cativeiro: Evellyn foi levada para o sítio alugado em Ravena.
23 de junho de 2023: morte de Evellyn
- Celulares apreendidos: a Polícia Civil e a Polícia Penal fizeram uma operação na cela de Sildirley e apreenderam os aparelhos usados para a comunicação com os comparsas.
- Sem contato com o mandante: os sequestradores teriam tentado falar com Sildirley para decidir o que fazer com Evellyn, mas não conseguiram.
- Assassinato: segundo a investigação, temendo que a menina identificasse os envolvidos, o grupo decidiu matá-la.
- Ocultação do corpo: por volta das 20h, Evellyn foi levada para uma área de mata em Ravena. Segundo a confissão de Alex, Marcos teria carregado o corpo para a região.
- Fuga: o Peugeot retornou ao sítio e depois foi levado para Belo Horizonte, onde teria sido lavado antes de ser devolvido à locadora.
2024: morte de um dos investigados
- Setembro: Marcos 'torosca' foi assassinado a tiros ao sair de uma festa.
Investigação: a polícia identificou indícios de que a morte poderia estar relacionada aos crimes de Sabará.
2026: retomada das buscas
- Buscas: a Polícia Civil realizou operações na região de mata de Ravena com cães farejadores, equipes de engenharia e retroescavadeiras.
- Corpo não localizado: apesar das buscas, os restos mortais de Evellyn não foram encontrados.
Tecnologia: segundo a polícia, recursos tecnológicos ajudaram a confirmar que o Peugeot esteve na região indicada como local de descarte. - Confissões: após as prisões, Alex 'camundongo' confessou participação no crime e indicou o local onde o corpo teria sido deixado. Sheila também prestou depoimento e, segundo a polícia, confirmou a dinâmica.
- Conclusão: Sildirley, Sheila e Alex 'camundongo' foram indiciados por crimes que incluem triplo homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado, adulteração de veículo e associação criminosa.
Segundo o delegado Murillo Ribeiro de Lima, a investigação foi concluída e encaminhada ao Ministério Público. Ainda segundo ele, os envolvidos já foram denunciados, e a Justiça recebeu a denúncia.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.
Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.






