PBH estuda distribuir capacetes para usuários de patinetes elétricos
Superintendência de Mobilidade (Sumob) já faz cotações de preços, mas ainda estuda como implementar a medida

A Superintendência de Mobilidade da Prefeitura de Belo Horizonte (Sumob) estuda distribuir capacetes gratuitamente para usuários dos patinetes elétricos na capital. O órgão faz cotações oficiais de preços, e ainda planeja como se daria a distribuição, e se a medida de segurança é viável.
Esta iniciativa da prefeitura acontece mesmo sem leis federais que obriguem o uso do capacete, entretanto, o executivo entende que é uma medida que pode reduzir a chance de acidentes graves em função do mau uso dos equipamentos.
Em audiência pública na Comissão de Mobilidade Urbana na Câmara Municipal de Belo Horizonte nesta quinta-feira (27), a diretora de Planejamento Estratégico e Inovação da SUMOB, Liliana Delgado Hermont, explicou que a autarquia planeja distribuir capacetes de acordo com a manifestação de interesse.
“A Sumob pretende comprar capacetes para distribuição ao público usuário dos patinetes de uso credenciado. Está sendo feita a cotação desses capacetes, a ideia é distribuir mediante manifestação de interesse, porque quando a gente faz campanhas de rua - e a gente já teve experiência disso -, qualquer um que esteja passando vai querer levar seu capacete para casa. A ideia é que o usuário do sistema de patinetes seja o que prioritariamente vai receber esse capacete gratuitamente. Então, essa é uma das propostas” afirmou durante a reunião.
Audiência debateu problemas com patinetes na cidade
A representante da Sumob ainda ressaltou que a prefeitura segue recebendo reclamações sobre mau uso dos equipamentos, destacando alta velocidade em calçadas, dificuldades para passagem de pessoas com deficiência, e equipamentos estacionados em locais irregulares. Entretanto, Liliana Delgado diz que hoje a situação é bem mais branda que em meados de março, quando os patinetes começaram a circular na capital.
“Além da velocidade nas calçadas ser menor do que em outros trechos viários, nós temos buscado também melhorar o controle dessas áreas de estacionamento de patinetes. No início da operação, a previsão era de áreas de estacionamento virtuais e, no princípio, o usuário acho que teve dificuldade na adaptação e a gente realmente encontrava patinetes na área livre do passeio destinado ao pedestre. Nossas operações de fiscalização e na observação tem percebido que isso melhorou bastante” finalizou.
Representando o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o promotor de justiça Fábio Finotti, que acompanha Procedimento Administrativo que monitora o serviço de patinetes elétricos, ressaltou que o equipamento é importante, mas é preciso as especificidades da cidade sejam levadas em consideração nas medidas de segurança relacionadas ao uso de patinetes.
“O patinete elétrico é um instrumento excelente de micromobilidade urbana, porém, em cada situação, em cada cidade, ele demanda soluções específicas. O que eventualmente dá certo em Londres não necessariamente vai dar certo em Belo Horizonte, ou o que não dá certo, por exemplo, no Rio de Janeiro, não necessariamente também não vai dar certo em Belo Horizonte. Então, caso a caso, com as suas peculiaridades. Mas os pontos principais que a gente teve preocupação foi a questão da segurança das pessoas em caminho pelas ruas. E aqui vem um problema pior e específico de Belo Horizonte, que nós já temos calçadas numa situação calamitosa, que por si só já é um empecilho para a mobilidade urbana dos pedestres” disse em audiência.
Natália Barbosa, gerente de relações governamentais da JET, empresa responsável pelas operações dos patinetes em Belo Horizonte, afirma que para situações de estacionamento irregular nas calçadas, apontadas como principal reclamação, existem equipes responsáveis por recolher equipamentos e garantir a desobstrução de vias.
“Nós temos equipes que trabalham em três turnos, e trabalham 24 por 7, circulando pela cidade. Hoje em dia patinetes são mais modernos, então nós não precisamos levar equipamento para carregar, nós temos equipes que acompanham a bateria, então quando a bateria fica baixa, nós temos nosso pessoal que vem e troca essas baterias, temos um pessoal específico que sempre organiza patinetes pela cidade" disse na audiência.
Vereador sugere medidas educativas
O vereador Uner Augusto (PL) foi quem convocou a audiência. Após o encontro, ele afirmou que vai enviar alguns encaminhamentos e proposta dos participantes da reunião para que a prefeitura avalie. Foi indicado que é possível exibir conteúdo educativo obrigatório aos usuários de patinetes
“Possibilidade de existência de um vídeo obrigatório antes de poder utilizar um vídeo pedagógico. Acredito que já exista, mas a gente talvez possa pensar em uma linguagem muito simples, de uma forma muito amigável, que qualquer pessoa pudesse ter informações seguras a respeito da velocidade, dos locais em que pode utilizar, as eventuais penalidades que podem ocorrer caso haja descumprimento. Enfim, acho que isso ajudaria bastante a cumprir esse caráter educativo, que a gente veio falando ao longo da audiência pública, de mudança de uma cultura. Além disso, coloco como encaminhamento a realização de campanhas educativas, para além daquilo que já é realizado pelo poder público, as vezes instalação de faixas naqueles lugares que o poder público identifica como o de maior fluxo de patinetes, para que as pessoas saibam e tenham sempre reforçado a informação” sugeriu antes de finalizar a audiência.
Dados da prefeitura apontam que mais de 100 mil usuários utilizam os patinetes na cidade.
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



