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Caso Djidja: maquiador preso por envolvimento em seita que usava cetamina será solto

Decisão foi expedida pela Justiça do Amazonas nesta quarta (12); Marlisson Vasconcelos irá aguardar o julgamento em liberdade

A Justiça do Amazonas determinou, nesta quarta-feira (12), que o maquiador que trabalhava no salão de Djidja Cardoso, Marlisson Vasconcelos, seja solto. Ele é suspeito de estar envolvido com o grupo religioso “Pai, Mãe Vida”, criado pela família da ex-sinhazinha do Boi Garantido.

O grupo usava o anestésico cetamina para acessar “outras dimensões”. Segundo a polícia, a empresária morreu em decorrência de uma overdose da substância. Após Djidja ser encontrada morta na casa onde morava, em Manaus, o dia 28 de maio, a polícia deflagrou uma operação que já prendeu 10 pessoas.

Conforme apuração da Rede Amazônica, afiliada da TV Globo, a decisão para a soltura de Marlisson foi proferida nesta quarta, mas ele só deve sair na prisão nesta quinta-feira (13). A defesa do maquiador afirma que conseguiu a sua liberdade após apresentar provas de que ele não preenchia os requisitos para a prisão. Agora, Marlisson deve aguardar o julgamento em liberdade.

O maquiador se entregou à polícia no dia 31 de maio, um dia depois da mãe de Djidja, Cleusimar Cardoso, e o irmão dela, Ademar Cardoso, serem presos. As investigações apontam que o maquiador era um dos responsáveis por fornecer a cetamina para o grupo religioso e administrar a droga nos membros do grupo.

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Entenda o caso

Dilemar Cardoso Carlos da Silva, Djidja, como era conhecida, morreu aos 32 anos na casa em que vivia, no bairro Cidade Nova, em Manaus. Ela era uma das principais personagens, a Sinhazinha, do Boi Bumbá Garantido na festa de Parintins.

Outros familiares da ex-sinhazinha acusam as pessoas mais próximas a ela de praticar crimes na casa da vítima, inclusive que faziam ‘rituais’ com substâncias ilícitas. Cleomar Cardoso, tia de Djidja, acusou os indiciados de negar socorro à vítima e incentivar seu vício em drogas.

“A Djidja morreu por omissão de socorro por parte da mãe dela e da turma do Belle Femme de Manaus. A casa dela na cidade nova se tornou uma Cracolândia. Toda vez que tentávamos internar a Djidja, éramos impedidos pela mãe e pela quadrilha de alguns funcionários que fazem parte do esquema deles. A mãe dela sempre dizia pra nós não interferirmos na vida deles e que ela sabia o que estava fazendo, ficamos de mãos atadas. E está do mesmo jeito lá, todos se drogando na casa dela”, diz um trecho da publicação no Facebook de Cleomar.

Como funcionava a seita?

A organização batizada de “Pai, Mãe, Vida”, criada pela família, tinha forte cunho religioso e se baseava no uso de drogas para acessar “outras dimensões”. A organização era liderada por Cleusimar e Ademar, mãe e irmão de Djidja, além de três funcionários da rede de salões da família, chamada de Belle Femme. Todos estão presos.

O nome da seita “Pai, Mãe, Vida”, aparece no perfil do Instagram de Cleusimar, onde vídeos e fotos sobre o salão era postado, mas também sua vida pessoal. O grupo defendia o uso da cetamina, droga que matou a ex-sinhazinha, como uma forma de alcançar a elevação espiritual. Eles acreditavam que Ademar (irmão) era Jesus Cristo, Cleusimar (mãe) era Maria, e Djidja seria Maria Madalena.

De acordo com a polícia, os rituais eram realizados dentro dos salões de beleza e na residência da família. Nas redes sociais, Ademar se descrevia como uma espécie de “guru” que poderia ajudar as pessoas a “sair da Matrix”, e ir para o “plano superior” citado pelo grupo. O caso já era investigado há mais de 40 dias, antes mesmo da morte de Djidja.

Até o momento, a polícia já prendeu dez integrantes do grupo:

  • Ademar Farias Cardoso Neto (irmão de Djidja);
  • Cleusimar Cardoso Rodrigues (mãe de Djidja);
  • Verônica da Costa Seixas (gerente de salões de beleza Belle Femme, que pertence à família de Djidja);
  • Claudiele Santos da Silva (maquiadora do salão);
  • Marlisson Vasconcelos Dantas (maquiador do salão);
  • Bruno Roberto Lima (ex-namorado de Djidja);
  • Hatus Silveira (personal trainer da família Cardoso);
  • José Máximo Silva de Oliveira (proprietário de uma clínica veterinária);
  • Emicley Araújo Freitas Júnior (funcionário da clínica de José);
  • Sávio Soares Pereira (funcionário da clínica de José).

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.
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