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‘Shopping avisou’: polícia investiga se Cobasi poderia ter retirado animais antes da enchente no RS

Animais morreram afogados em loja em Porto Alegre; delegada investiga se loja privilegiou retirada de computadores

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga se a Cobasi, gigante do setor de pet shop onde 38 animais morreram na enchente em Porto Alegre, foi negligente e se poderia ter impedido o afogamento dos animais que estavam à venda.

Em entrevista à Itatiaia nesta sexta-feira (24), a delegada Samieh Saleh, da Delegacia do Meio Ambiente, explicou que funcionários do Shopping Praia de Belas, onde fica a loja, teriam alertado para o risco de alagamento no local a tempo da retirada dos bichos. Ao todo, 38 animais foram encontrados mortos, entre roedores, aves e peixes. A loja nega qualquer negligência ou irregularidade e aponta que foi surpreendida pela fatalidade (confira nota abaixo).

Funcionários do shopping já foram ouvidos pela polícia. “A gente ouviu os gerentes operacionais, de marketing e de manutenção, e tudo indica que o shopping avisou e inclusive teria dado meios para essa loja retirar os animais”, aponta a delegada.

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Computadores retirados

Denúncias nas redes sociais apontavam que funcionários da Cobasi teriam privilegiado a retirada de computadores para um andar superior enquanto os animais ficaram em risco nas gaiolas e aquários. A polícia confirma que quatro computadores foram levados ao mezanino. “No mezanino, a gente localizou um carrinho com esses CPUs retirados do subsolo”, aponta Samieh. Em nota, a Cobasi reconheceu que quatro máquinas foram levadas ao andar superior, mas classifica como fakenews a “narrativa sobre as CPUs em detrimento de vidas” e afirma que todo o restante do equipamento foi perdido.

A Cobasi afirma que funcionários colocaram os animais em altura segura, acima de um metro de altura, e tinham alimentação disponível até o retorno da loja. A empresa afirma que as mortes ocorreram devido a “uma inundação sem precedentes no shopping”.

Investigação

No momento, as vistorias conduziram a um inquérito para averiguar o que realmente aconteceu na loja. “A gente está ouvindo pessoas, testemunhas, para tentar identificar se há responsabilidade de alguém específico. Se foi dada alguma determinação para alguém retirar ou não retirar [os animais], se houve essa omissão por parte da empresa na retirada desses animais”, explica a delegada Samieh Saleh.

A investigação refere-se ao crime de maus-tratos, que, se comprovado, tem a pena aumentada em razão da morte dos bichos.

O processo de apuração teve início no último final de semana, após uma ONG conseguir uma liminar para entrar no estabelecimento para verificar a situação dos animais. A delegada explica que, no domingo (19), a Polícia Civil, os bombeiros, a Patrulha Ambiental (Patram), representantes do shopping e do estabelecimento tentaram entrar no subsolo, mas sem sucesso em razão do nível da água.

Apenas na manhã de quinta-feira (23), a Polícia Civil, o Instituto Geral de Perícias, representantes do Ibama e da Patram conseguiram adentrar o local. Só nesse momento foram identificadas e recolhidas as carcaças dos animais.

Nota da Cobasi

A Cobasi esclarece que sua loja no shopping Praia de Belas precisou ser evacuada de forma emergencial na sexta-feira, dia 3 de maio, seguindo as orientações das autoridades. Como não havia qualquer indicação da magnitude do desastre que acometeu o estado do Rio Grande do Sul, os colaboradores da loja tomaram todas as providências para garantir que as aves, pequenos roedores e peixes estivessem em altura segura e alimentados para sua sobrevivência até o retorno dos colaboradores (...).

Tudo foi colocado acima de um metro de altura no mesmo salão. Infelizmente a entrada de água na noite do sábado (04 de maio) e na madrugada do domingo (05 de maio), chegou aos 3,5 metros de altura, atingindo o teto da loja, ultrapassando em muito a barreira de sacos de areia colocada na porta da loja, pelos colaboradores do shopping. Cabe destacar que apenas as 4 CPUs dos checkouts da loja foram levadas ao andar superior, por se encontrarem a 20 centímetros do chão, local que ficava junto aos pés das operadoras de caixa, porém todos os outros equipamentos relacionados aos checkouts permaneceram em suas posições originais (acima de 1 metro de altura) tais como: monitores, teclados, impressoras de cupom fiscal, teclados pin pad (para cartões de crédito/débito) e leitores de código de barras dos produtos.

Infelizmente, a proporção do evento climático na região foi tão devastadora que provocou uma inundação sem precedentes no shopping e levou à perda de vida de pequenos roedores, aves e peixes que estavam na loja. Importante ressaltar que não havia cães ou gatos no estabelecimento. A inundação levou também à destruição de quase a totalidade dos principais equipamentos e do estoque de produtos da loja.

A Cobasi lamenta profundamente o ocorrido. A empresa ressalta ainda que está colaborando com as investigações realizadas pelas autoridades e que irá comprovar todas as informações relatadas acima nos autos.

A nota, na íntegra, pode ser conferida no site da empresa.


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Pablo Paixão é estudante de jornalismo na UFMG e estagiário de jornalismo da Itatiaia
Gaúcha de Porto Alegre, Mauri Dorneles é formada em Jornalismo pela PUC-RS e trabalha como correspondente do portal Itatiaia Esporte no Sul do Brasil. Também cursou Cinema. Antes da Itatiaia, passou por Correio do Povo, Record RS, Rádio Grenal, RBS TV e Band.
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