Renault e Geely criam motor que pode funcionar mesmo debaixo d’água
Propulsor 2.0 turbo foi desenvolvido para continuar funcionando mesmo em travessias com até 1,10 metro de água

A Renault e a chinesa Geely desenvolveram um novo motor a combustão com uma característica incomum: ele foi projetado para continuar funcionando mesmo quando o veículo passa por áreas alagadas. O propulsor é desenvolvido pela Horse Powertrain, empresa formada a partir da parceria entre os dois grupos automotivos.
Batizado de Horse B20, o motor é um 2.0 turbo a gasolina projetado para suportar situações extremas de uso e receber diferentes tipos de eletrificação para equipar modelos híbridos, híbridos plug-in e elétricos com extensor de autonomia. Dependendo da configuração, a potência varia entre 190 cv e 252 cv, com torque de 30,6 kgfm a 38,7 kgfm, respectivamente.

De acordo com as informações divulgadas sobre o projeto, o conjunto possui certificação IPX8 e pode continuar funcionando mesmo completamente submerso. A tecnologia permite enfrentar alagamentos de até 1,10 metro de profundidade.
A resistência à água é especialmente relevante para veículos destinados a regiões sujeitas a fortes chuvas e enchentes. Em situações convencionais, a entrada de água no sistema de admissão pode provocar o chamado calço hidráulico, quando o líquido chega aos cilindros e impede o movimento dos pistões, podendo causar danos graves ao motor.

No caso do Horse B20, a proposta é justamente evitar que a água comprometa o funcionamento do conjunto durante uma travessia. Para isso, o projeto recebeu vedações em componentes elétricos e sensores, além de uma proteção específica na ligação entre o motor e a transmissão, entre outras soluções específicas, para permitir que o motor continue operando mesmo em condições nas quais um propulsor convencional poderia apresentar problemas.

O B20 também se destaca pela eficiência térmica de 48,4%, segundo a Horse. Para atingir esse nível, o motor trabalha em ciclo Miller, com injeção direta, pistões específicos e dutos de admissão que favorecem a mistura de ar e combustível. Como referência, motores a combustão atingem eficiência entre 25% e 30%. O conjunto híbrido do Toyota Prius, por exemplo, alcança 40%.
Atualmente, o B20 equipa o Geely Galaxy Cruiser 700 híbrido plug-in vendido na China. A tecnologia chama a atenção pelo potencial de aplicação em veículos com características voltadas ao uso fora de estrada, segmento no qual a capacidade de enfrentar terrenos alagados pode ser um diferencial.
Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.



