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Etanol lidera queda nos preços dos combustíveis em agosto

Biocombustível recua 2,7% no mês e renova mínima histórica de competitividade frente à gasolina; Norte e Nordeste seguem com os preços mais elevados do país

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Bomba combustível
Lucas Tintori

Os preços dos combustíveis nos postos brasileiros voltaram a cair em agosto, puxados pelo etanol hidratado, que registrou a maior queda entre os seis produtos monitorados pelo Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe em parceria com a Fipe.

O biocombustível ficou 2,7% mais barato e encerrou o mês a R$ 4,050 por litro na média nacional. O diesel comum recuou 1,1%, a gasolina comum caiu 0,5%, e a gasolina aditivada e o diesel S-10 tiveram reduções de 0,4% cada. A única alta veio do gãs natural veicular (GNV), que subiu 1,3% e chegou a R$ 4,900 por m³.

• Divulgação / Pexels
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Apesar do alívio no mês, o quadro acumulado ainda preocupa o consumidor. Enquanto o etanol acumula queda de 9,5% no ano e de 5,1% em 12 meses, o diesel S-10 avançou 12,4% no acumulado de 2026 — a maior alta entre todos os combustíveis monitorados. O diesel comum subiu 10,3% no mesmo período. Gasolina comum e aditivada acumulam altas de 6,0% e 5,6%, respectivamente.

A gasolina comum fechou agosto a R$ 6,654 por litro, e o diesel S-10, a R$ 6,949.

Etanol amplia vantagem sobre a gasolina

A trajetória de queda do etanol reforçou a sua competitividade relativa. Em agosto, o litro do derivado de cana-de-açúcar equivalia a 65,6% do preço da gasolina comum na média dos estados — o menor patamar da série histórica iniciada em 2017, pelo segundo mês consecutivo. Nas capitais, a relação também atingiu novo mínimo, em 66,2%.

Considerando o parâmetro de 70% — referência técnica que indica vantagem econômica do etanol sobre a gasolina para motores flex —, o biocombustível se mostrou mais vantajoso em nove unidades da federação. Mato Grosso lidera com a relação mais favorável (55,6%), seguido por São Paulo (58,1%), Mato Grosso do Sul (61,8%), Goiás (61,9%) e Paraná (63,1%). Também ficaram abaixo do limite o Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia e Amazonas. Em Santa Catarina, a relação coincidiu exatamente com o parâmetro de 70%.

• Divulgação | Volkswagen
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O movimento, no entanto, é desigual. O etanol continua mais caro no Norte (R$ 5,082/litro) e no Nordeste (R$ 4,927/litro). No Sudeste, onde houve a maior queda mensal entre as regiões (3,3%), a média ficou em R$ 3,892.

Os cinco estados com o menor preço médio do etanol em agosto foram São Paulo (R$ 3,735), Mato Grosso (R$ 3,772), Mato Grosso do Sul (R$ 4,078), Minas Gerais (R$ 4,099) e Paraná (R$ 4,111).

Gasolina mais barata no Sul e Sudeste

Para quem prefere ou depende da gasolina comum, a diferença regional também é significativa. O litro custou em média R$ 6,467 no Sul e R$ 6,487 no Sudeste, contra R$ 7,130 no Norte e R$ 6,960 no Nordeste.

Os menores preços médios foram registrados no Rio Grande do Sul (R$ 6,336), Minas Gerais (R$ 6,391), São Paulo (R$ 6,470), Santa Catarina (R$ 6,477) e Paraíba (R$ 6,592).

• Divulgação
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Na ponta oposta, Roraima apresentou o maior preço médio do país, de R$ 7,830 por litro, seguido por Acre (R$ 7,499), Rondônia (R$ 7,359), Amazonas (R$ 7,306) e Sergipe (R$ 7,272).

Diesel recua, mas acumulado segue pressionado

O diesel S-10 fechou agosto a R$ 6,949 por litro, 0,4% abaixo de julho, mas ainda 12,4% acima do nível do fim de 2025. Regionalmente, o Norte manteve o maior preço médio (R$ 7,254), enquanto o Sul registrou o menor (R$ 6,647).

O diesel comum teve queda mais acentuada no mês (1,1%), para R$ 6,752 por litro. Ainda assim, acumula alta de 10,3% no ano e de 10,2% em 12 meses — sinal de que o recuo mensal, embora bem-vindo, não reverte a trajetória de pressão sobre o bolso do consumidor.

Abastecer pesa mais no Norte e Nordeste

O Indicador de Poder de Compra de Combustíveis, referente ao segundo trimestre de 2026, mostra que encher um tanque de 55 litros de gasolina comum consumia, em média, 6,1% da renda domiciliar brasileira — alta de 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.

O peso, porém, é muito desigual entre as regiões. A despesa equivalia a 9,6% da renda no Nordeste e 8,0% no Norte, contra 5,1% no Sudeste, 5,0% no Sul e 4,9% no Centro-Oeste. Entre os estados, Acre, Maranhão e Alagoas estão entre os lugares onde abastecer compromete a maior fatia do orçamento familiar — um retrato da distância entre a dinâmica nacional dos preços e a realidade local do consumidor.

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Guilherme Silva gosta do meio automotivo desde que se conhece por gente, mas começou a trabalhar no setor por acaso. São mais de 15 anos de experiência na área, com passagens por iCarros, Carsale, Webmotors, KBB e Mobiauto, além de ter colaborado com as tradicionais revistas Autoesporte, Motor Show e Quatro Rodas, produzindo matérias de diferentes temas e cobrindo eventos e salões no Brasil e no exterior.

 

 

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