Belo Horizonte
Itatiaia

Tecnologias que reduzem tempo de análises e diagnósticos são destaques na Aquishow

Maior feira da aquicultura brasileira reúne cerca de 7 mil visitantes e mais de 200 expositores até quinta-feira (11), em Uberlândia, no Triângulo Mineiro

Por
Tecnologias que reduzem tempo de análises e diagnósticos são destaque na Aquishow
Fabiano Frade/Itatiaia

A tecnologia tem se consolidado como uma das principais aliadas da aquicultura, trazendo mais agilidade, precisão e eficiência para a produção de peixes. Na Aquishow Brasil 2026, realizada em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, cerca de 200 expositores apresentam máquinas, equipamentos e soluções inovadoras voltadas para toda a cadeia produtiva do setor.

Entre os destaques está uma tecnologia desenvolvida pela empresa suíça Buchi, que possui filial no interior de São Paulo. O equipamento permite o monitoramento de amostras de farelos vegetais e farinhas animais em apenas 15 segundos, reduzindo drasticamente o tempo de análises que tradicionalmente podem levar até duas horas.

Segundo o consultor técnico de vendas da empresa, Marcel Padovani, a tecnologia elimina diversas etapas laboratoriais e acelera a tomada de decisões. “O que você tem de um método primário, de um método de laboratório ali em duas horas, três horas, ou até para a umidade, que leva muito tempo, você consegue analisar rapidamente a partir dessa tecnologia e desse equipamento”, explicou.

Na aquicultura, onde o tempo pode ser decisivo para evitar perdas, outra inovação chama a atenção. Uma máquina desenvolvida em Taiwan permite identificar doenças em peixes em menos de uma hora e meia. Antes, o processo podia levar até oito dias entre a coleta da amostra e o retorno do laboratório.

Francisco Chaves, da empresa Y3K, de São Paulo, destaca que a principal vantagem é a realização dos exames diretamente na propriedade. “Hoje você consegue fazer o teste dentro da piscicultura, sem precisar enviar o material para um laboratório de apoio. Muitas vezes esse retorno demora até uma semana”, afirmou.

Os avanços tecnológicos, no entanto, vão além dos diagnósticos e análises laboratoriais. De acordo com a pesquisadora da Embrapa, Flávia Matos, as inovações estão presentes em todas as etapas da produção.

“Desde a produção das formas jovens, passando pelo manejo, sistemas de produção, nutrição e genética. Hoje temos tecnologias para melhoramento genético das espécies aquícolas, edição genômica e também avanços importantes no processamento e na sanidade animal”, destaca.

Resistência à inovação ainda é desafio

Apesar dos benefícios, a adoção de novas tecnologias ainda encontra resistência entre parte dos produtores rurais.

Eduardo Moreira, extensionista da Emater-MG em Morada Nova de Minasmunicípio reconhecido como um dos maiores polos produtores de tilápia do país — avalia que muitos piscicultores ainda são cautelosos na hora de investir em inovação.

“Temos um público que ainda apresenta certa resistência. Implementar novas tecnologias não é fácil. A maioria quer ver os resultados na prática antes de acreditar no que está comprando”, explicou.

Segundo ele, a profissionalização da atividade é fundamental para superar esse cenário, especialmente diante da crescente demanda por mão de obra qualificada.

“A piscicultura precisa se profissionalizar ainda mais. Temos uma demanda elevada por trabalhadores e hoje não encontramos essa oferta no mercado”, completou.

Considerada a maior feira da piscicultura e aquicultura do Brasil, a Aquishow Brasil 2026 segue até esta quinta-feira (11), em Uberlândia, reunindo produtores, pesquisadores, empresas e especialistas do setor.

Por

Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.