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'Super Queijo': maior queijo de cabra do Brasil é atração do Made In Minas em BH

Evento na Savassi trouxe queijo de 50 kg produzido pela Di Capre, em Itanhandu, e reuniu culinária tradicional, inovação e mais de 18 municípios mineiros

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'Super Queijo': maior queijo de cabra do Brasil é atração do Made In Minas em BH
Queijo foi produzido pelo produtor Júlio César da Cunha de Souza, proprietário da Di Capre • Fabiano Frade/Itatiaia

A Praça da Savassi transformou-se em uma representação viva do mapa de Minas Gerais no último domingo (17). O cruzamento das avenidas Cristóvão Colombo e Getúlio Vargas foi desenhado para que cada "laço" representasse uma região do estado — Norte, Sul, Leste e Oeste —, tendo a capital mineira como o coração da experiência. A 6ª edição do festival Made in Minas Gerais celebrou o tema “Destinos” em um momento de consagração internacional: o estado foi eleito pela prestigiada revista Condé Nast Traveler como um dos melhores lugares do mundo para se visitar, sendo o único destino brasileiro na lista.

O ponto alto da programação gastronômica ocorreu às 13h, com o projeto 'Super Queijos'. O público viu o corte do maior queijo de cabra curado produzido no Brasil, uma peça assinada pela Di Capre, localizada em Itanhandu, na Mantiqueira de Minas.

500 litros de leite: o desafio do 'Super Queijo'

Para o produtor Júlio César da Cunha de Souza, proprietário da Di Capre, o momento do corte envolveu tanta tensão quanto orgulho. "É uma expectativa muito grande que a gente fica na hora de partir, porque só ficamos sabendo como ele está por dentro na hora que abrimos. É muito bom", revelou.

Júlio César da Cunha de Souza, proprietário da Di Capre • Fabiano Frade/Itatiaia
Júlio César da Cunha de Souza, proprietário da Di Capre • Fabiano Frade/Itatiaia

A fabricação de um queijo desse porte é um trabalho puramente artesanal e de grande esforço físico. Júlio contou os bastidores da produção ao lado do irmão. "É um desafio danado. Nós usamos 500 litros de leite para poder produzir esse queijo. Na hora em que estamos manuseando, ainda com o soro, ele pesa em torno de 70 a 80 kg. Depois que colocamos na forma e vamos prensando para soltar o soro, ele chega aos 50 kg. No começo é bem pesado e tudo muito trabalhoso", contou à Itatiaia.

Cabras ou vacas? A exigência do rebanho caprino

Questionado sobre qual manejo dá mais trabalho, Júlio desmistificou a atividade. "Na verdade, os dois (vacas e cabras) dão muito trabalho, porque você tem que ordenhar todo dia, de manhã e de tarde. Mas quando comecei com as cabras, achava que a cabra ia ser uma 'vaca pequenininha'. Depois fui aprender que ela é completamente diferente, desde o sistema alimentar. Elas são muito mais exigentes e precoces. Tudo nelas é mais rápido".

O produtor destacou que o segredo do sucesso na Mantiqueira está na união entre o rigor técnico e a matéria-prima. "Com um leite bom, você pode até fazer um queijo bom; mas com leite ruim, você nunca vai fazer um queijo bom. Usamos alta tecnologia nas análises e na higiene — desde os detergentes para lavar os equipamentos até o pré-dipping na limpeza do peito da cabra. Tudo resulta no melhor queijo lá na frente", explicou Júlio.

Tradição, inovação e o reconhecimento da UNESCO

O chef Léo Paixão marcou presença no evento e celebrou o momento histórico do setor, fazendo referência ao reconhecimento do "saber fazer" do Queijo Minas Artesanal pela UNESCO. "O queijo para a gente aqui em Minas é tudo: nossa cultura, tradição e orgulho. Ficamos muito orgulhosos com o título de Patrimônio Imaterial".

Sobre o avanço técnico no campo e o surgimento de receitas autorais, o chef defendeu que a modernização não destrói a identidade mineira: "A tecnologia veio para ajudar a manter um padrão, escalar com rigor e trazer mais segurança, sem perder as características do terroir, do ambiente e da forma artesanal de fabricar. Toda criação é válida. Algumas dessas receitas autorais, no futuro, quem sabe não vão se tornar as novas tradições de Minas Gerais?", indagou Paixão.

Vitrine para a economia criativa

O organizador do Made in Minas Gerais e criador da Rota do Queijo, Jordane Macedo, celebrou o sucesso da ocupação urbana, que reuniu produtores de mais de 18 municípios — incluindo representantes de Diamantina, Juiz de Fora, Tiradentes, Serro e Serra da Canastra.

"Todo mundo aqui pôde viajar por Minas sem sair da Savassi. É a mineiridade pura na veia", comemorou Jordane, brincando sobre o apetite dos visitantes diante das iguarias locais.

Para o idealizador, o papel do festival vai muito além do entretenimento. "A partir da minha arte de empreender, que é comunicar através da Rota do Queijo, nós damos o palco para o pequeno produtor e para o artesanal trabalharem em conjunto dentro da economia criativa", concluiu Macedo, que já aproveitou para confirmar a data da sétima edição do festival: 16 de maio de 2027.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde