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Confinamento de gado em MT deve dar salto de 55% e atingir 1,44 milhão de cabeças

Primeiro levantamento do Imea em 2026 aponta que o segundo semestre concentrará mais de 80% dos abates de gado confinado

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Confinamento de gado em MT deve dar salto de 55% e atingir 1,44 milhão de cabeças
Imea/ Reprodução

A engorda de gado em confinamento deve registrar um crescimento expressivo em Mato Grosso ao longo de 2026. A projeção é que o estado atinja a marca de 1,44 milhão de cabeças, um volume 55,39% superior ao registrado em 2025. Os dados são do 1° levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), realizado em abril e publicado na última quinta-feira (14).

De acordo com o instituto, esse avanço histórico será sustentado majoritariamente pelas operações de grande porte, enquanto os pequenos produtores enfrentam um cenário de maior pressão nos custos de produção.

Grandes estruturas dominam 80% do mercado

O estudo do Imea revela uma forte concentração da atividade. Os confinamentos com capacidade acima de 5.001 cabeças serão responsáveis por 80,92% de todo o volume projetado para o estado em 2026, o que representa cerca de 1,17 milhão de bovinos.

Enquanto as grandes plantas projetam uma expansão de 21,83% na comparação anual, os confinamentos menores (com capacidade de até 1 mil cabeças) devem registrar uma retração de 4,58%. Esse recuo reflete a dificuldade dos pequenos invernistas em absorver a forte alta nos preços da reposição animal.

 

Raio-X das regiões: Oeste lidera as intenções

A distribuição do rebanho confinado pelas macrorregiões de Mato Grosso aponta a liderança do Oeste do estado:

  • Oeste: 407.912 cabeças (+50% de aumento)
  • Norte: 333.487 cabeças
  • Sudeste: 192.500 cabeças
  • Nordeste: 153.414 cabeças
  • Centro-Sul: 143.573 cabeças
  • Médio-Norte: 134.573 cabeças
  • Noroeste: 78.154 cabeças

Relação de troca com o milho favorece a diária, mas frete pressiona

Um dos principais fatores de estímulo para o setor neste início de ano é a melhora na relação de troca entre o boi gordo e o milho. Diante da desvalorização do cereal em Mato Grosso, o custo médio da diária confinada apresentou uma leve queda, recuando de R$ 13,15 para R$ 13,05 por cabeça/dia.

Por outro lado, as margens dos pecuaristas continuam pressionadas pelo aumento do óleo diesel e pelas tarifas de frete, componentes logísticos que impactam diretamente o balanço final das operações.

O levantamento também acende um sinal de alerta para o setor: a escassez de bezerros no mercado. O elevado abate de fêmeas nos últimos ciclos pecuários reduziu a base produtiva, o que limita a oferta de animais de reposição e mantém os preços desse elo elevados.

Gestão de risco e papel estratégico no 2º semestre

Diante das incertezas econômicas e do complexo cenário geopolítico internacional, os confinadores mato-grossenses estão adotando uma postura mais cautelosa. Mesmo em um ambiente de preços valorizados para o boi gordo, tem crescido a busca por ferramentas de proteção de preço (como travas e mercado futuro).

Essa estratégia será crucial para o segundo semestre de 2026, período em que o confinamento assumirá o papel de principal abastecedor da indústria frigorífica. Entre julho e dezembro — meses de entressafra marcados pela seca e pela perda de suporte das pastagens —, está previsto o envio de 82,6% de todo o gado confinado do ano para o abate, garantindo a regularidade da oferta de carne bovina no estado.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde