Preços do feijão carioca batem recorde mesmo com demanda moderada
Oferta restrita sustenta alta; preços acumulam avanço no trimestre, apesar de recuos recentes nas cotações

O feijão carioca registrou um novo recorde no indicador Cepea/CNA em março. O fenômeno ocorre mesmo com a demanda mais moderada ao longo do mês e com recuos pontuais em algumas semanas.
O movimento acontece em um panorama de oferta restrita, dificuldades na colheita e expectativa de menor produção, sobretudo na segunda safra. Já a média parcial de março do feijão carioca de notas 9 ou superiores está 8,3% acima da registrada em fevereiro e 34% superior à do mesmo período do ano passado.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a valorização chega a 48,3% e, na última semana analisada, entre os dias 20 e 27 deste mês, houve recuo nas cotações em todas as regiões acompanhadas, o que reflete em uma menor demanda.
As quedas variaram de 0,31%, no leste de Santa Catarina, a 1,32% em Itapeva (SP). Ainda assim, a baixa disponibilidade de grãos de maior qualidade segue como sustentação de prêmios para os melhores lotes.
Para o feijão carioca de notas 8 e 8,5, o comportamento também é de alta no acumulado. A média de março está 7,1% acima do mês de fevereiro e 42,2% superior à observada no mesmo período de 2025.
No primeiro trimestre, o avanço chega a 43,9%. E, na semana mais recente, a redução no ritmo das compras resultou em quedas em algumas regiões, com destaque para Curitiba (PR), onde os preços recuaram 5,43%. Por outro lado, as cotações se mantiveram firmes no Distrito Federal e no noroeste de Minas Gerais, sustentadas pela oferta de lotes armazenados da produção irrigada.
Mercado do feijão preto
No caso do feijão preto, os preços apresentaram estabilidade na média mensal, com leve alta de 0,11% frente a fevereiro e de 0,4% na comparação anual. No acumulado do primeiro trimestre, a valorização é de 32,2%, que reflete a recuperação recente do produto.
Por fim, na última semana, o comportamento foi misto, com leve alta em Curitiba, de 0,24%, associada à expectativa de retomada da demanda, enquanto em Itapeva (SP), as cotações recuaram 2,24%, pressionadas pela entrada de produtos da região Sul.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



