Belo Horizonte
Itatiaia

Suco de laranja do Brasil fica fora de tarifa e evita alta de custos nos EUA

Decisão do governo norte-americano de poupar suco concentrado e polpa de barreira de 25% preserva receita bilionária do Brasil

Por
Receita com suco de laranja cai 30% na safra 2025/26; EUA assumem a liderança
Estados Unidos se consolidaram como o principal destino do suco de laranja exportado pelo Brasil • Canva/ Reprodução

Em mais uma decisão estratégica para o comércio bilateral, o governo dos Estados Unidos decidiu deixar os principais produtos da cadeia brasileira do suco de laranja de fora da nova sobretaxa de 25%. A medida tarifária, anunciada na madrugada desta quinta-feira (16), é fruto de uma investigação comercial do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) baseada na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

Com a decisão, as exportações brasileiras de suco de laranja concentrado congelado, suco de laranja concentrado não congelado, suco de laranja não concentrado (NFC), além de polpa e óleos essenciais de laranja, permanecem livres do imposto adicional.

Interdependência e crise na Flórida sustentam isenção

A exclusão do setor citrícola brasileiro da lista de tarifas adicionais reflete uma necessidade de abastecimento do próprio mercado americano. Atualmente, a produção de laranja do estado da Flórida — histórico cinturão citrícola dos EUA — enfrenta uma forte redução, tornando a matéria-prima brasileira essencial para manter as gôndolas cheias e os preços estáveis para o consumidor final.

O diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, aponta que o diálogo e o respeito às regras globais foram determinantes para manter a estabilidade do setor.

“Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação de interdependência no mercado de suco de laranja. O produto brasileiro é fundamental para complementar a oferta norte-americana e garantir o abastecimento do mercado, especialmente diante da forte redução da produção da Flórida. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos são um mercado estratégico para o setor brasileiro. Essa relação beneficia produtores, indústrias e consumidores dos dois países”, afirmou Netto.

EUA consolidam liderança como principal cliente do Brasil

Os números do setor comprovam a importância dessa parceria comercial. Na safra 2025/2026, os Estados Unidos se consolidaram como o principal destino do suco de laranja exportado pelo Brasil, respondendo por uma fatia de 48% de todos os embarques do setor.

Durante o período, o mercado norte-americano importou 355,8 mil toneladas de suco de laranja concentrado congelado (FCOJ) equivalente, movimentando uma receita recorde de US$ 1,08 bilhão.

Apesar do alívio com a isenção da sobretaxa de 25%, as indústrias brasileiras lembram que o acesso ao mercado americano nunca foi barato. O Brasil já paga uma tarifa regular de US$ 415 por tonelada para ingressar nos EUA. De acordo com a CitrusBR, a exclusão da nova barreira tarifária evita, neste momento, um impacto financeiro severo sobre o bolso do consumidor americano e sobre a competitividade da citricultura brasileira.

Por

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.