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Setor do etanol repudia declaração de Flávio Bolsonaro sobre mistura na gasolina

Setor sucroenergético classifica como "desinformação" a comparação feita pelo senador e pré-candidato entre o aumento do biocombustível e a prática de 'reduflação'

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A cadeia sucroenergética brasileira repudiou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o parlamentar comparar o aumento da adição de etanol na gasolina à "reduflação" de produtos nos supermercados. Através de um manifesto conjunto, as lideranças da bioenergia repudiaram a declaração.

A polêmica teve início após manifestação do candidato à Presidência da República em uma transmissão na internet, ao lado do deputado federal e pré-candidato ao Senado por São Paulo, Guilherme Derrite (PP). Na ocasião, Flávio Bolsonaro criticou a resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que elevou temporariamente a fatia obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% por um período de 180 dias.

"Hoje, as pessoas vão comprar uma barrinha de chocolate no mercado, era de 200 gramas, agora, 160. Vai comprar um rolo de papel higiênico, que era de 40 metros, hoje tem 36. Caixa de Bis, que vinha com 20, agora vem com 16. Dúzia de ovos passou a ter dez. A gasolina virou etanol. Nem o combustível esse governo tá poupando", declarou o senador, alegando existir outras alternativas para incentivar o setor sucroalcooleiro sem mexer na proporção da mistura.

Setor fala em desinformação e lembra aprovação de lei

A resposta do setor produtivo veio assinada em conjunto pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), Bioenergia Brasil, Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (FEPLANA), União Nordestina dos Produtores de Cana (UNIDA) e Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA).

No documento, as entidades afirmaram que a declaração do parlamentar desinforma o consumidor e "desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas" por diferentes gestões governamentais. O posicionamento ressaltou ainda surpresa com a crítica, apontando que a matéria passou pelo Senado Federal com a concordância do próprio senador durante a votação da Lei do Combustível do Futuro.

As associações destacaram que o etanol atua como combustível de elevada octanagem e que a ampliação do biocombustível fortalece a soberania energética, permitindo ao país alcançar a autossuficiência no segmento do ciclo Otto (veículos leves).

Testes técnicos e viabilidade da frota

Para rebater os questionamentos sobre o impacto nos veículos, o setor sucroenergético citou os parâmetros adotados pelo Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia e do CNPE, em alinhamento com a indústria automotiva e sob fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Segundo o setor, a viabilidade técnica das misturas de 27%, 30% e 32% foi atestada em ensaios de laboratório e pista conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes avaliaram 16 modelos de automóveis e 13 de motocicletas representativos da frota nacional fabricada entre 1994 e 2024, sem constatar prejuízos ao desempenho dos motores ou danos ao consumidor.

As entidades fecharam o posicionamento reiterando que continuarão defendendo o patrimônio energético do país com base em fatos e evidências científicas.

Leia a nota na íntegra:

"A UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a UNEM – União Nacional do Etanol de Milho, a Bioenergia Brasil, a FEPLANA – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil, a UNIDA – União Nordestina dos Produtores de Cana e a ORPLANA – Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil repudiam a declaração do senador Flávio Bolsonaro comparando a mistura de etanol na gasolina à chamada “reduflação”. A afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob governos de todas as orientações — do Proálcool ao RenovaBio e à Lei do Combustível do Futuro.

Surpreende que a crítica parta de quem participou da decisão. A Lei do Combustível do Futuro passou pelo Senado Federal com a anuência do próprio senador.

O etanol é combustível de elevada octanagem, produzido em mais de mil municípios brasileiros. Com ele, o consumidor recebe mais: mais desempenho, mais economia na bomba, mais empregos e mais soberania energética — o Brasil alcançou a autossuficiência nos combustíveis do ciclo Otto, que movem os veículos leves.

A mistura vigente foi implementada com rigor técnico. As entidades signatárias reconhecem a condução responsável do processo pelo Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética, em diálogo permanente com o setor produtivo e a indústria automotiva. Sob essa coordenação, o Instituto Mauá de Tecnologia ensaiou 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota de 1994 a 2024, em laboratório e pista, nas misturas de 27%, 30% e 32%, com acompanhamento da ANP, de fabricantes e de importadores de veículos e motocicletas. A conclusão: plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor.

O setor brasileiro de etanol seguirá defendendo, com fatos e ciência, o patrimônio energético que o Brasil construiu".

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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