Deriva de herbicidas causa prejuízo de R$ 210 milhões na vitivinicultura do RS
Pesquisa inédita do Consevitis-RS aponta que contaminação por agrotóxicos afetou 700 hectares e pode gerar mais R$ 150 milhões em perdas até 2030

Um levantamento inédito apresentado pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) trouxe à tona o impacto financeiro da deriva de herbicidas hormonais (desvio de pequenas gotas ou vapores de produtos químicos usados em plantações vizinhas) sobre o setor. Conforme o estudo, viabilizado pela FEENG/UFRGS e executado por pesquisadores do IFRS Campus Bento Gonçalves, as perdas registradas somaram R$ 161,6 milhões entre 2018 e 2025. Ao considerar gastos com aumento de custos, manejo e renovação de parreirais, o prejuízo real estimado alcança R$ 210 milhões.
O trabalho, viabilizado por meio de termo de colaboração com a Secretaria da Agricultura (Seapi-RS), analisou mais de 400 ocorrências oficiais e estima que ao menos 700 hectares de vinhedos foram diretamente atingidos no período. Se o cenário de contaminação prosseguir sem mudanças, as projeções indicam novos prejuízos da ordem de R$ 150,1 milhões nos próximos cinco anos.
Mapeamento dos impactos no estado
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Regiões mais afetadas: o problema concentra-se onde a vitivinicultura divide espaço com lavouras extensivas que utilizam os defensivos. Os principais registros concentram-se na Campanha Gaúcha, Região Central, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Planalto, Missões e, pontualmente, na Serra Gaúcha.
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Ameaça permanente: a deriva deixou de ser um evento isolado e passou a ser vista como risco constante, afetando diretamente a tomada de decisão no campo.
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Frenagem nos investimentos: 100% dos produtores entrevistados relataram ter reduzido ou adiado aportes financeiros devido à incerteza da atividade. O receio prejudica a renovação de vinhedos, criação de novos rótulos, expansão do enoturismo e consolidação de Indicações Geográficas (IGs).
Evidência técnica para guiar políticas públicas
"Os relatos dos produtores já eram conhecidos, mas o estudo permitiu transformar essa percepção em evidência técnica. Pela primeira vez foi possível integrar dados oficiais, análises territoriais e projeções para dimensionar como o fenômeno afeta não apenas a produção de uvas, mas o desenvolvimento da vitivinicultura gaúcha", destaca a Dra. Shana Sabbado Flores, uma das coordenadoras da pesquisa.
Para a liderança do setor, o diagnóstico é fundamental para balizar o planejamento futuro. "Conhecer a dimensão desse problema é um passo importante para que a vitivinicultura gaúcha possa planejar seu futuro com base em evidências. Este estudo fortalece o setor ao oferecer informações técnicas qualificadas para orientar o diálogo institucional e buscar soluções em harmonia com as demais atividades agrícolas", conclui o presidente do Consevitis-RS, Maicon Galiotto.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



