Top 3 na produção de peixes, Minas mobiliza aumento do consumo interno
Com marca de 73,5 mil toneladas produzidas, estado fortalece setor aquícola e projeta ação com supermercados e restaurantes

Minas Gerais consolidou sua posição como o terceiro maior produtor de peixes de cultivo do Brasil. Impulsionado pela piscicultura de água doce, o estado atingiu a marca de 73,5 mil toneladas produzidas em 2025, segundo dados oficiais do Anuário Peixe BR da Piscicultura. O resultado coloca os produtores mineiros na vanguarda do setor nacional, impulsionados pela criação da tilápia, espécie que lidera de forma isolada a preferência e a produção em território brasileiro.
O avanço da atividade aquícola no estado tem transformado o perfil econômico de diversos municípios no interior. O ecossistema, que vai além dos tanques de cultivo, envolve diretamente indústrias de ração animal, fornecedores de tecnologia e insumos, frigoríficos especializados, redes de transporte refrigerado e um forte elo com o setor de food service e supermercados. Para dar sustentação a esse crescimento contínuo, a Associação Mineira de Aquicultura (Peixe MG) iniciou uma mobilização para conectar a produção do campo diretamente ao hábito de consumo das famílias.

Polos estratégicos e estrutura produtiva
A geografia mineira tem desempenhado um papel fundamental para o sucesso do setor, combinando alta disponibilidade hídrica, logística privilegiada e proximidade com os maiores centros consumidores do país.
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Lagos e reservatórios: o cultivo em tanques-rede nos grandes reservatórios de Furnas e Três Marias tornou-se a "espinha dorsal" da piscicultura mineira, atraindo altos investimentos em tecnologia e manejo sustentável.
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Cadeia integrada: o segmento mobiliza milhares de empregos diretos e indiretos, conectando desde a produção de grãos para ração até a ponta final no varejo.
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Potencial de expansão: mesmo com o 3º lugar garantido nacionalmente, entidades do setor destacam que Minas ainda possui capacidade hídrica e produtiva para ampliar ainda mais seu volume nos próximos anos.

O desafio de mudar o hábito de consumo
Apesar da alta produtividade, o setor enfrenta um gargalo histórico: a frequência de compra por parte da população. No Brasil, e em especial no território mineiro, o pescado ainda é fortemente associado a datas comemorativas ou períodos específicos do calendário religioso, como a Quaresma e a Semana Santa.
A proposta das lideranças aquícolas é desmistificar o preparo do peixe e demonstrar sua viabilidade como proteína do dia a dia, seja pela praticidade do uso de eletrodomésticos modernos como a air fryer, seja no forno, na grelha ou na churrasqueira.
"Minas Gerais está se consolidando como uma das grandes potências da piscicultura brasileira. Temos produção, indústria, tecnologia e capacidade para continuar crescendo. O próximo passo é fazer com que o peixe esteja cada vez mais presente na mesa dos mineiros. Estimular o consumo regular é a ferramenta mais eficiente para garantir o desenvolvimento sustentável da nossa cadeia", destacou a presidência da Peixe MG.
Durante a Semana do Pescado, no início do mês de setembro, a associação quer transformar o pico de produção em aumento real de consumo, vendas diárias nos supermercados, peixarias e restaurantes, fechando o ciclo que une o fortalecimento do agronegócio regional à oferta de uma alimentação mais saudável e acessível para a população.
Mais peixe na mesa. Mais saúde, sabor e desenvolvimento para Minas Gerais
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



