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El Niño pode beneficiar safra da cana no Centro-Sul, mas açúcar opera com cautela

Compradores contêm os negócios na expectativa de maior oferta de cristal branco; clima no Centro-Sul traz promessa de alta produtividade, mas acende alerta para o ritmo da colheita

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El Niño pode beneficiar safra da cana no Centro-Sul, mas açúcar opera com cautela
Canva/ reprodução

O mercado paulista de açúcar cristal branco opera em um cenário de cautela. Segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações do produto têm registrado oscilações constantes nos últimos dias, refletindo uma postura cautelosa por parte das indústrias e compradores.

Com a expectativa de um aumento na disponibilidade do açúcar no mercado físico à medida que a safra avança, a ponta compradora tem evitado fechar grandes volumes no momento, apostando em futuras quedas nos preços. Como resultado, as negociações seguem ocorrendo de forma pontual, limitadas ao atendimento de demandas imediatas.

O fator clima: a influência do El Niño na cana

Se no curto prazo o ritmo do mercado é ditado pela estratégia das usinas e compradores, no médio prazo os holofotes se voltam para o campo. As projeções para a atuação do fenômeno El Niño no Centro-Sul do país desenham um quadro de forças opostas para o setor sucroenergético.

Por um lado, a previsão de chuvas mais frequentes para o segundo semestre é vista com otimismo. A umidade deve favorecer o desenvolvimento vegetativo dos canaviais, impulsionando a produtividade tanto no trecho final da safra 2026/27 quanto na temporada seguinte.

Por outro lado, o excesso de precipitação traz desafios operacionais à vista. A umidade intensa no solo pode paralisar o trabalho das colhedoras no campo e diluir a concentração de Açúcar Total Recuperável (ATR) nas plantas — indicador decisivo para o rendimento industrial. A expectativa dos analistas é de que os impactos mais marcantes do El Niño comecem a ser sentidos com maior intensidade a partir de setembro, ditando o ritmo da oferta e do comportamento dos preços no encerramento do ano.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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