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Safra de café vai bem, mas El Niño acende alerta para 2027, aponta Cooxupé

Fórum promovido pela Cooxupé aponta que ciclo de desenvolvimento vegetativo e clima exigem atenção ao manejo pós-colheita, adubação e fortalecimento das raízes

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José Donizeti Alves destacou estratégias de manejo para reduzir os impactos do El Niño e preservar a produtividade das lavouras
Canva/ Reprodução

A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) reuniu especialistas no 8º Fórum Café e Clima para analisar os reflexos das condições meteorológicas sobre as lavouras e discutir as estratégias necessárias para o enfrentamento de um fenômeno El Niño de forte intensidade. O encontro reforçou a importância do planejamento técnico e do manejo correto no campo para conter riscos e preservar o potencial produtivo dos cafezais.

Segundo a diretoria da cooperativa, o objetivo da iniciativa foi municiar os cooperados com orientações práticas para a tomada de decisões. "Além da análise das condições climáticas e das projeções para as próximas safras, os palestrantes compartilharam orientações técnicas para apoiar os cooperados no planejamento das atividades cafeeiras, na tomada de decisões e na mitigação de riscos ao longo do ciclo produtivo", destacou o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo.

Desafios no desenvolvimento e desuniformidade

A avaliação do ciclo produtivo trazida pelo Departamento de Geoprocessamento da Cooxupé indicou que o atraso no desenvolvimento vegetativo acumulado em períodos anteriores limitou o potencial de carga das plantas, afastando expectativas de volumes extraordinários. Segundo o coordenador do setor, Guilherme Vinicius Teixeira, a formação das lavouras seguiu em ritmo mediano, com a ocorrência de múltiplas floradas expressivas que resultaram em maturação e colheita menos uniformes.

O cenário meteorológico ao longo do ano impôs desafios em diferentes etapas. Chuvas intensas no início do ano dificultaram os tratos culturais e o controle fitossanitário, enquanto variações térmicas posteriores comprometeram a sincronização das gemas. Esse contexto de oscilações e maior emissão de etileno pelas plantas pode antecipar e desformar as novas floradas, exigindo acompanhamento constante da equipe técnica para proteger a produtividade futura.

 

El Niño e oscilações regionais

As projeções climáticas apresentadas pelo agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, sócio-fundador da Rural Clima, confirmam que o próximo ciclo será marcado por um El Niño de elevada intensidade, figurando entre os eventos mais expressivos já registrados. A previsão aponta para temperaturas bastante elevadas ao longo do fim do inverno, primavera e verão.

Embora o calor deva ser uma constante, o comportamento das chuvas tende a variar conforme a região:

  • Sul e Sudoeste de Minas Gerais e Média Mogiana: a tendência é de precipitações relativamente regulares, favorecendo a manutenção do ritmo no campo.
  • Cerrado Mineiro: apresenta maior vulnerabilidade, com risco de períodos de estiagem no final da primavera e durante o verão.

Outro ponto de atenção ressaltado pelo especialista é a probabilidade de novas floradas fracionadas, impulsionadas pela combinação de inverno mais úmido com a chegada de chuvas na primavera, o que exige gestão cuidadosa da lavoura.

Planejamento e fisiologia vegetal

Diante das adversidades previstas, o fisiologista vegetal José Donizeti Alves, professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), ressaltou que a tecnologia e o planejamento antecipado são os principais aliados do cafeicultor. Para ele, as medidas de mitigação do estresse térmico e hídrico devem começar imediatamente no pós-colheita.

José Donizeti Alves destacou estratégias de manejo para reduzir os impactos do El Niño e preservar a produtividade das lavouras • Divulgação/ Cooxupé
José Donizeti Alves destacou estratégias de manejo para reduzir os impactos do El Niño e preservar a produtividade das lavouras • Divulgação/ Cooxupé

"O El Niño será forte, mas não é invencível. Hoje existem tecnologias capazes de amenizar seus efeitos. O risco maior é quando o produtor deixa de planejar e executar as práticas necessárias", alertou Donizeti.

Entre as recomendações da UFLA para atravessar o período crítico, destacam-se:

  • Antecipação dos tratos culturais: Agilizar adubações, manejo fitossanitário e uso de bioestimulantes para fortalecer a estrutura fisiológica das plantas.
  • Estímulo ao sistema radicular: Promover o enraizamento profundo, permitindo que o cafeeiro busque água e nutrientes em camadas mais fundas do solo, aumentando a resiliência em fases de seca.
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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