Em celebração ao Dia Mundial do Vinho (18 de fevereiro), a APTA Regional de São Roque, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, anunciou os números expressivos da safra 2025/2026. Com mais de 2,1 toneladas de uvas colhidas sob manejo agroecológico, a unidade de pesquisa valida a sustentabilidade no campo e anuncia um salto ambicioso: a transição para a viticultura biodinâmica.
A colheita, finalizada na primeira quinzena de janeiro, teve como grande protagonista a variedade Bordô, responsável por 1.735 kg do total. Conhecida por sua rusticidade e coloração intensa, a uva é a base dos sucos e vinhos de mesa que dão fama ao roteiro turístico da cidade. O balanço incluiu ainda as variedades Isabel Precoce (228 kg) e IAC Ribas (173 kg).
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Ciência a favor da biodiversidade
O diferencial da pesquisa em São Roque é a prova de que é possível produzir em escala com baixo impacto ambiental. O pesquisador Wilson Tivelli, coordenador do projeto, destacou que o manejo substitui insumos caros por soluções biológicas e minerais. No vinhedo experimental, o controle de pragas como o ácaro da erinose e o míldio é feito com enxofre, molibdênio e sílica, eliminando a dependência de agrotóxicos.
Os benefícios extrapolam as cercas da fazenda. “Para a sociedade, o resultado é um alimento nutricionalmente superior e um modelo que protege os recursos hídricos. O solo orgânico absorve melhor a chuva, recarregando o lençol freático e ajudando a mitigar enchentes no meio urbano”, explicou Tivelli.
Rumo ao sistema biodinâmico
Após consolidar o modelo agroecológico iniciado em 2018, a APTA inicia em 2026 uma nova fase em parceria com o Instituto Mahle. O objetivo é transformar o vinhedo experimental em um sistema biodinâmico, que trata a propriedade agrícola como um organismo vivo e autossustentável, integrando ritmos astronômicos e preparados naturais ao cultivo.
Além da inovação técnica, o projeto possui um forte viés social. Em colaboração com a UFSCar Sorocaba e com apoio do CNPq, a APTA realizará a transferência dessas tecnologias para públicos prioritários, incluindo:
- Pequenos e médios agricultores locais;
- Comunidades quilombolas e indígenas;
- Assentados rurais.
Tradição e parcerias
O sucesso da safra é fruto de uma rede de cooperação que envolve o Sindicato da Indústria do Vinho de São Roque (Sindusvinho), a prefeitura local e o curso de Viticultura e Enologia do Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Com cerca de 1,5 milhão de turistas visitando São Roque anualmente, a oferta de vinhos e sucos com selo de sustentabilidade agrega valor direto ao terroir da “Terra do Vinho”.
Para o próximo ciclo, está prevista ainda a implantação de um novo vinhedo de uvas tintas para comparar linhagens desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC) com variedades modernas, todas sob o rigor do manejo biodinâmico.