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Preços do feijão seguem em queda com demanda fraca e avanço da colheita

Mercado enfrenta pressão da oferta no Paraná e recuo nas compras; produção de feijão preto é revisada para baixo pela Conab

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Divulgação / CNA

A demanda fraca de atacadistas e varejistas continua reduzindo o ritmo dos negócios no mercado de feijão, contribuindo para mais uma semana de queda nos preços do carioca e do preto.

Segundo a análise do Indicador Cepea/CNA, no campo, as atenções estão voltadas para o avanço da colheita no Paraná, que enfrenta instabilidades climáticas com impactos na qualidade dos grãos, além dos trabalhos em andamento em Minas Gerais e Goiás.

O novo levantamento da Conab para a safra 2025/26 apresenta cenários distintos para os produtores. Enquanto as estimativas para o carioca registraram ajustes moderados, as projeções para o feijão preto sofreram nova revisão negativa, sinalizando um cenário de oferta mais restrita.

Feijão carioca

O feijão carioca com notas 9 ou superior apresentou recuo nos preços na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. O movimento refletiu o foco da indústria na comercialização dos estoques e a expectativa em relação à safra irrigada do Cerrado.

Em Itapeva (SP), os preços caíram 12,08% diante da oferta disponível e das compras pontuais. A exceção foi Curitiba (PR), onde os melhores lotes registraram alta de 1,55%, após as fortes quedas observadas nas semanas anteriores.

Já o feijão carioca, notas 8 e 8,50, continuou com os preços em queda nos últimos dias, especialmente para os lotes de qualidade intermediária. A entrada de produto do Paraná afetado pelas geadas aumentou a pressão sobre as cotações.

As maiores quedas foram registradas em Itapeva (SP), com recuo de 21,17%, no Sul/Sudoeste de Minas Gerais, com baixa de 20,20%, e em Sorriso (MT), onde os preços caíram 19,37% devido à menor atuação das indústrias compradoras. No Leste Goiano, a retração foi mais moderada, de 2,36%, enquanto o Distrito Federal manteve estabilidade, favorecido pela boa qualidade dos novos lotes.

Feijão preto

Em sentido oposto, o levantamento da Conab mostrou que a produção total do feijão preto tipo 1 foi revisada para baixo em 2,6% na estimativa de junho, passando para 506,6 mil toneladas. O volume representa uma queda de 37,6% em relação à safra anterior, resultado da redução de 35,4% na área cultivada e de 3,3% na produtividade.

A primeira safra deverá alcançar 208,8 mil toneladas, volume 36,8% inferior ao registrado na temporada anterior. A segunda safra foi estimada em 281,6 mil toneladas, retração de 39,2%, após novo ajuste mensal negativo. Já a terceira deve totalizar apenas 16,2 mil toneladas, volume 9,5% menor que o obtido no ano passado.

Suprimento 

Considerando estoques iniciais de 135,9 mil toneladas e importações estimadas em 21,6 mil toneladas, o suprimento nacional de feijão deverá atingir 3,37 milhões de toneladas.

Mantidas as projeções de consumo interno em 2,7 milhões de toneladas e de exportações em 214,3 mil toneladas, o estoque final poderá alcançar 288,5 mil toneladas, praticamente o dobro das 144,6 mil toneladas projetadas em maio.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.