Chegada da segunda safra pressiona preços do feijão no início de junho
Avanço da colheita e postura cautelosa dos compradores interrompem sequência de altas

Os preços do feijão carioca e do feijão preto iniciaram junho em queda nas principais regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Segundo pesquisadores, a pressão sobre as cotações está relacionada ao avanço da colheita da segunda safra e à atuação mais cautelosa dos compradores.
Outro fator que influencia o mercado é a qualidade de parte dos lotes colhidos no Paraná, especialmente em áreas atingidas por geadas, o que tem impactado a dinâmica das negociações.
Apesar do recuo recente, o mercado segue acumulando valorização em 2026. De acordo com o Cepea, a redução da área cultivada e a oferta limitada de grãos de melhor qualidade continuam dando sustentação aos preços ao longo do ano.
No comércio exterior, as importações brasileiras de feijão somaram 5,28 mil toneladas em maio, segundo dados da Secex. O volume é seis vezes superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e o maior para maio desde 2020.
As compras tiveram origem na Argentina e foram compostas principalmente por feijão preto, que respondeu por 65% do total importado. O feijão branco representou 25%, enquanto outras variedades de feijões comuns corresponderam a 11%.
Já as exportações brasileiras alcançaram 12,09 mil toneladas em maio. O resultado ficou praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado, com leve recuo de 0,5%, mas ficou 47,1% abaixo do volume embarcado em maio de 2024, quando o País registrou recorde para o mês. A Índia segue como o principal destino do feijão brasileiro no mercado internacional.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



