Oferta restrita mantém alta dos preços do feijão no mercado nacional
Ritmo lento da colheita no Paraná sustenta valorização do carioca e do preto

A oferta limitada nas principais regiões produtoras e o ritmo mais lento da colheita no Paraná, principal produtor da 2ª safra, sustentaram novas valorizações para os feijões carioca e preto. Os dados foram coletados nas praças acompanhadas pelo Indicador Cepea/CNA entre os dias 1º a 8 de maio.
Segundo a análise, o desenvolvimento mais tardio das lavouras paranaenses, aliado às chuvas irregulares, postergou o avanço da colheita e manteve reduzida a disponibilidade de produto no mercado. Ao mesmo tempo, novas revisões nas estimativas de produção reforçaram a percepção de oferta mais ajustada para a temporada 2025/2026.
Reações regionais
Os preços do feijão carioca seguem reagindo desde a segunda quinzena de abril, movimento que ganhou força neste começo de maio. Os agentes permaneceram atentos ao ritmo da colheita no Paraná e à aproximação de uma frente fria na Região Sul, embora as negociações tenham seguido cautelosas diante dos preços mais elevados. No caso do feijão preto, houve aumento do interesse comprador e maior procura por lotes recém-colhidos da segunda safra.
No período analisado, a presença de compradores ativos, inclusive de outros estados, sustentou fortes altas no feijão preto na Metade Sul do Paraná (+8,39%) e em Curitiba (PR), incluindo Campos Gerais (+7,72%). Em Itapeva (SP), a demanda da indústria paulista por reposição de lotes de melhor qualidade impulsionou a valorização de 9,41%.
Para o feijão carioca de notas 8 e 8,5, as altas também foram generalizadas, ainda que em intensidades distintas entre as regiões. Nas praças do Sul, os avanços foram mais moderados, diante da entrada gradual da segunda safra, da necessidade de secagem dos grãos e da postura mais cautelosa dos compradores. Em Curitiba e Campos Gerais, a valorização foi de 4,6%.
Nas regiões de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, a restrição de lotes armazenados manteve os preços sustentados, mesmo com negociações mais pontuais. Em Itapeva (SP), ocorreu a maior alta semanal para esse padrão de qualidade, de 11,3%, impulsionada pela escassez de grãos de melhor padrão e pela atuação de intermediários.
No feijão carioca peneira 12 ou nota 9 ou superior, o cenário seguiu marcado pela baixa disponibilidade de produto. As altas continuaram concentradas no mercado ao produtor, enquanto a dificuldade de repasse ao varejo e ao atacado limitou as compras à demanda imediata. Em Itapeva (SP), a cotação fechou na quinta (7) em R$ 415,66 por saca de 60 kg, alta de 5,01% na semana. A maior valorização ocorreu no Leste Goiano (+8,53%), enquanto Curitiba (PR) registrou a menor alta (+4,68%).
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



