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Nova safra de laranja começa e duas regiões saem na frente das indústrias de suco

Maior parte dos pomares brasileiros ainda não atingiu o estágio ideal de maturação

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Safra de laranja 2026/27 deve recuar 12,9% sob pressão climática e avanço do greening
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As negociações de laranja da safra 2026/27 voltadas à indústria processadora começam a dar os primeiros passos no Brasil. O ritmo de contratação inicial, no entanto, é lento e marcado pelo pragmatismo: a grande maioria das indústrias de suco segue priorizando, neste momento, o processamento de frutas de produção própria.

De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o avanço dos novos contratos está estritamente condicionado a parâmetros rigorosos de qualidade e rendimento industrial. Em casos pontuais, as fábricas já iniciaram o recebimento de cargas de terceiros, mas a maior parte dessas operações está vinculada a contratos renegociados de safras anteriores.

Maturação dita o ritmo e favorece Triângulo Mineiro e Norte paulista

Como a maior parte dos pomares brasileiros ainda não atingiu o estágio ideal de maturação, a geografia da colheita desenha um cenário concentrado. As indústrias têm focado suas compras em frutas de meia-estação vindas das regiões onde o ciclo produtivo está mais adiantado, com destaque para:

  • Norte de São Paulo
  • Triângulo Mineiro

Embora a oferta de variedades de laranjas precoces esteja aumentando no mercado, os agentes consultados pelo Cepea relatam que as processadoras mantêm uma clara preferência pelas de meia-estação das áreas mais desenvolvidas do cinturão citrícola, visando garantir uma entrega superior de sólidos solúveis (padrão Brix) no suco.

Qualidade irregular no Paraná limita preços iniciais

Fora do eixo principal composto por São Paulo e pelo Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais, a situação dos pomares acende um alerta técnico. Fontes do setor reportam que a qualidade das laranjas está aquém do esperado neste início de temporada, especialmente no Paraná.

Esse cenário de qualidade inferior nas lavouras paranaenses pode limitar o potencial de valorização das frutas produzidas no estado neste arranque de safra, pressionando as cotações locais.

Expectativa de aceleração para julho

O cenário de lentidão generalizada deve mudar nas próximas semanas. Os pesquisadores do Cepea apontam que a retomada das atividades industriais nas principais praças citrícolas do país ocorrerá de forma escalonada, com uma forte expectativa de ampliação do número de fábricas e unidades esmagadoras em operação ao longo do mês de julho, quando o volume de fruta madura nos pomares ganhar corpo.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde