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Nova maçã Gala, 100% vermelha, está em fase de testes  

Variedade está sendo considerada o sonho dos consumidores brasileiros, acostumados a ‘comprar com os olhos’

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A Purple Gala está tendo boa aceitação desde o primeiro contato dos compradores interessados
A Purple Gala está tendo boa aceitação desde o primeiro contato dos compradores interessados • Embrapa Uva e Vinho/Viviane Zanello

Na hora de comprar maçãs, vocês escolhe as mais vermelhas? Se sim você está afinado com o efeito causado pela intensidade e uniformidade da cor dos alimentos sobre os órgãos dos sentidos da maioria dos seres humanos. Pensando nisso, a Embrapa Uva e Vinho, em parceria com a empresa Jardim dos Clones, está testando uma nova cultivar de maçã, com a casca 100% vermelha, batizada de Purple Gala. 

Trata-se de um novo clone de macieira que já está sendo avaliado em mercados especiais. “Essa é uma etapa  importante que está nos permitindo testar a aceitação dos consumidores”, pontua o pesquisador Paulo Ricardo Oliveira. A Purple Gala é a primeira cultivar brasileira do tipo “full color”. “Ela é uma mutação natural que tem todas as características positivas aliadas à alta aceitação das maçãs gala, acrescida de uma cor de casca excepcional: um vermelho intenso, com recobrimento compacto da epiderme, característica que é uma tendência mundial em termos de diferencial organoléptico [efeito sobre os órgãos dos sentidos”, destaca o melhorista.

“A Purple é o sonho dos consumidores brasileiros que ‘compram com os olhos’ e sempre buscam uma fruta toda vermelha”, comenta Valdir Andrade, gerente comercial da Castelo, empresa responsável pela comercialização durante a atual fase de validação. Segundo ele, a Purple Gala está tendo boa aceitação desde o primeiro contato dos compradores interessados, por meio de imagens encaminhadas, até o recebimento da fruta nos pontos de venda. 

Excesso de chuva não interferiu na qualidade

Outro aspecto importante é que a falta de chuvas e o excesso de calor da safra 2021/2022 estão interferindo  na "deficiência de cor" das maçãs, fato que não ocorreu com a Purple Gala. “Ao longo das quatro safras que estou produzindo e acompanhando a cultivar, ela segue se mostrando estável”, afirma Fernando Soldatelli, produtor responsável pela avaliação agronômica e validação do novo clone.

A Purple Gala também chama a atenção pela qualidade e homogeneidade no tamanho da fruta, o que lhe rendeu a classificação de CAT 1, a categoria mais valorizada. É o que relata Diego Zamban, da empresa Agroban, responsável pela classificação e embalagem das frutas em validação. “Cerca de 90% da Purple Gala foi classificada como CAT 1, enquanto que o mais comum das galas brasileiras é de 55%. É uma fruta que, tanto pelo tamanho quanto pela coloração, irá garantir o escoamento da produção e lucro para o produtor”, prevê.

O lançamento da nova cultivar será feito assim que for concluída a fase de validação comercial e assim que a Jardim dos Clones e a Embrapa estabelecerem o modelo de negócios a ser adotado para a comercialização das mudas. A previsão é que na safra 2023/2024 a Purple Gala já esteja disponível nos principais mercados consumidores brasileiros.

Diferenciais da nova cultivar

  • Cultivar é a primeira maçã gala brasileira do tipo full color (totalmente vermelha).
  • Cor do fruto é resultado de uma mutação natural da maçã gala que lhe dá uma coloração vermelha intensa e uniforme na casca.
  • Diferentemente de outras cultivares, a Purple Gala não sofreu "deficiência de cor" provocada pelo calor ocorrido nesta safra.
  • Nova maçã tem obtido ótima aceitação de mercado com vendas rápidas e preço 10% superior em relação a concorrentes da variedade gala.
  • Tamanho homogêneo proporcionou aos frutos da Purple Gala a classificação de CAT 1, categoria mais valorizada, para 90% dos lotes embalados.
  • Após os testes de mercado, a cultivar será lançada e ofertada a produtores. Previsão é que produção em larga escala comece na safra 2023/2024.

(*) Com informações da Embrapa Uva e Vinho

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.