Itatiaia

Monitoramento da lavoura ajuda no controle de doenças fúngicas

Chuva, baixa luminosidade e temperaturas amenas favorecem fungos; monitoramento e manejo preventivo ajudam a reduzir perdas

Por
Pulverizador agrícola trabalhando em uma lavoura de cereal de inverno, com árvores e área rural ao fundo.
Pulverizador realiza manejo em lavoura de cereal de inverno; monitoramento é importante para controlar doenças fúngicas. • Luiz Magnante / Embrapa

O clima úmido, com baixa luminosidade e temperaturas amenas, pode favorecer a presença de fungos nas lavouras de cereais de inverno. Algumas estratégias de manejo das lavouras podem auxiliar a reduzir o impacto nas plantações.

Segundo a fitopatologista Cheila Sbalcheiro, da Embrapa Trigo, a ocorrência ou mesmo a intensidade das doenças depende da resistência ou suscetibilidade da cultivar escolhida e das condições climáticas em cada fase de desenvolvimento da cultura. Por isso, o monitoramento das lavouras permite fazer o melhor controle das doenças fúngicas, como manchas foliares, oídio, ferrugens e giberela, especialmente em anos de El Niño.

“Após dias consecutivos de chuva, as manchas foliares exigem maior atenção do produtor na fase inicial do trigo, já que estas doenças evoluem muito rápido e, caso não controladas, certamente vão impactar no rendimento final da lavoura”, compartilhou Cheila. Ela explicou que as plantas precisam de tecido verde para garantir a produtividade, mas como os fungos causam lesões nas folhas, tendem a comprometer a área de fotossíntese. 

Outro risco para a produção de grãos de inverno em anos de El Niño é a giberela, já que chuva em dias consecutivos e temperatura entre 24 e 30ºC potencializam a ocorrência de epidemias. O fungo causador da giberela pode atacar as espigas a partir do espigamento até a fase final de enchimento de grãos, ocasionando perdas de até 25% no rendimento, além do potencial de contaminação dos grãos por micotoxinas, que prejudicam a saúde humana e animal.

“Sempre orientamos o produtor a monitorar a lavoura para fazer o manejo de doenças em trigo, mas no caso da giberela a recomendação é monitorar as previsões climáticas para fazer o controle preventivo e evitar que o fungo chegue à espiga”, explicou Sbalcheiro.

A fitopatologista ainda afirmou que, para o melhor controle da doença, é preciso fazer a proteção antecipada da espiga. “Por exemplo, com previsão de chuva nas próximas 24h a 72h, a orientação é aplicar o fungicida antes da chuva e repetir a operação após 7 a 10 dias se houver nova previsão de chuva”.

Adubação assertiva

A adubação nitrogenada pode ajudar na sanidade da lavoura, evitando que a planta fique debilitada, com pouca energia para reagir à entrada de vírus, fungos e bactérias que podem causar doenças.

Em anos de El Niño, para o melhor aproveitamento da adubação nitrogenada, considerando possíveis perdas causadas pelo excesso de chuva, a estratégia indicada pela pesquisa é parcelar as aplicações de N em três momentos: na semeadura; entre duas folhas e o início do perfilhamento; e na fase reprodutiva (entre o perfilhamento e o início do alongamento).

Em teoria, o ideal é que, antes ou após a aplicação do nitrogênio em cobertura, ocorra uma chuva de 5 a 10 milímetros. Mas como isso nem sempre é possível, o produtor deve observar as condições climáticas para definir o momento da aplicação, dando preferência aos dias ensolarados com grande disponibilidade de radiação.

Em caso de volumes elevados de chuva após a aplicação de N, ocasionando lixiviação ou escoamento superficial no talhão, o produtor deve fazer a compensação da dose na próxima aplicação.

Por

*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

 

 

Belo Horizonte