Início da colheita da segunda safra pressiona preços do milho no Brasil
Compradores seguem afastados do mercado à espera de maior oferta, enquanto cotações recuam na maior parte das regiões

Os preços do milho voltaram a cair na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), pressionados pelo início da colheita da segunda safra e pela postura cautelosa dos compradores. A expectativa de aumento da oferta nas próximas semanas tem mantido consumidores afastados do mercado spot, à espera de preços mais baixos.
Neste momento, a colheita ainda está concentrada em áreas do Paraná e de Mato Grosso, mas já influencia o comportamento das cotações. Nas regiões de Sorriso (MT) e do Norte do Paraná, as médias parciais de maio, até o dia 28, ficaram 11% e 8% abaixo das registradas no mesmo período do ano passado, respectivamente, em termos nominais.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a expectativa é de que o avanço dos trabalhos de campo a partir de junho amplie a disponibilidade do cereal e mantenha a pressão sobre os preços. Além do cenário interno, o bom andamento da semeadura nos Estados Unidos também influencia o mercado, pressionando os contratos futuros e reduzindo a paridade de exportação.
Nem mesmo as preocupações climáticas em importantes regiões produtoras foram suficientes para conter as quedas recentes. O mercado segue atento às altas temperaturas e à falta de chuvas em áreas de Goiás e Mato Grosso do Sul, além das geadas registradas no Paraná.
Por outro lado, as cotações permaneceram firmes em Santa Catarina e avançaram no Rio Grande do Sul, estados que já estão próximos de concluir a colheita da safra de verão.
*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.



