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Importância da comunicação é destaque no 2º Fórum Nacional do Leite, em Brasília; entenda

Evento, organizado pela Abraleite, reuniu mais de 500 produtores, técnicos, empresários, parceiros e lideranças políticas e classistas

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Clenio Nailton Pilon: "precisamos comunicar melhor o que já temos de bom"


Fórum reuniu mais de 500 pessoas em Brasília

Para além das questões de genética e sustentabilidade, o 2º Fórum Nacional do Leite promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Leite (ABRALEITE), em Brasília, discutiu a importância da comunicação eficiente para o setor. O diretor-executivo da Embrapa, Clênio Nailton Pilon, lembrou que “o leite é um alimento fabuloso que precisa ter suas propriedades melhor internalizadas pela população e cabe a nós criarmos condições para isso”.

Ele disse ainda que o setor precisa comunicar melhor o que já tem de bom, ‘em termos de conhecimento e inovação’ para que isso possa ser incorporado ao setor produtivo. E terceiro, na opinião dele: os produtores de leite também precisam comunicar os desafios que enfrentam para os responsáveis pela elaboração de políticas públicas.

Geraldo Borges:

O Fórum contou com a participação de palestrantes nacionais e internacionais nos dias 16 e 17 de abril na sede da Embrapa em Brasília. O presidente da Abraleite, Geraldo Borges, disse que o objetivo do evento foi promover uma troca de ideias e experiências ‘num momento em que o setor atravessa uma de suas piores crises, em função do excesso de importação do leite em pó’.

Ele defendeu que o fortalecimento do setor deve passar pela convergência entre os setores primário, secundário e terciário, com o intuito de buscar um ambiente institucional organizado e maduro”. Ressaltou ainda a importância de questões estruturais, como a qualificação e a eficiência no campo, ‘tão ou mais importantes que as questões emergenciais’.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, foi um dos primeiros a falar. Ele lembrou que o atual governo revogou duas decisões (uma de maio e outra de outubro de 2022) que autorizavam a importação de leite. Ele revelou também que o governo está preparando, em parceria com a Embrapa, um programa de inovação da atividade leiteira para tornar o produtor mais competitivo. Ainda nesse semestre, segundo o ministro, as ações desse programa vão chegar às propriedades de todo o país. A iniciativa envolve, entre outras coisas, programas de melhoramento genético, manejo e de agregação de valor aos produtos.

Três pilares: biosseguridade, sustentabilidade e gestão

Os painéis destacaram temas como biosseguridade, sustentabilidade, gestão, melhoramento genético, mercado e comunicação.

O ex-diretor corporativo de agricultura da Nestlé, Hans Jöhr, proporcionou uma visão abrangente do mercado global e as perspectivas futuras; o professor doutor Frank Mitloehner, especialista em qualidade do ar e extensão cooperativa no Departamento de Ciência Animal da UC Davis (EUA) falou sobre algumas soluções climáticas para a pecuária, destacando a necessidade de um kit de ‘ferramentas’ para mitigar os gases de efeito estufa provenientes do sistema alimentar.

Produtor deve se preparar para os próximos anos

Outro painel de destaque foi o do pesquisador Paulo Martins que elencou 12 tendências do setor de leite e derivados para 2030, e também o liderado pelo especialista em marketing e comunicação no Agronegócio, Jose Luís Tejon, que trouxe a temática “O agro é uma olimpíada e o leite merece a medalha olímpica!”.

Já o painel conduzido por Marcos Fava Neves, Fundador da Markestrat Consultoria Empresarial, ofereceu insights sobre o futuro do agronegócio e estratégias para os produtores obterem sucesso. Por fim, o painel sobre biosseguridade foi considerado crucial, com pesquisadores da Embrapa apresentando dados científicos sobre seu impacto nos resultados das propriedades.

Já Guilherme Pontes, palestrante do Grupo Rehagro, liderou o painel "Como a consultoria pode impactar no resultado da pecuária de leite de uma região?". Ele ressaltou a importância da comunicação e do marketing na indústria do leite:

“No dia a dia, acabamos focando muito em processos, eficiência e aumento de resultados, e muitas vezes esquecemos de questões macro que são igualmente cruciais”.

Ao final do evento, Maria Antonieta Guazzelli, manifestou sua satisfação:

“Abordamos questões comportamentais que têm um impacto direto no consumo dos cidadãos e destacamos a integração do setor financeiro com o agronegócio, com foco especial na cadeia do leite.

Precisamos nos unir ainda mais com a indústria, buscar ativamente novas tecnologias e nunca parar de aprender. Somente assim poderemos tornar nossos produtos mais competitivos e enfrentar os desafios do mercado com confiança", concluiu.

Brasil em 1,2 milhão de propriedades leiteiras

Atividade leiteira está presente em 99% dos municípios brasileiros

A pecuária leiteira desempenha um papel crucial na produção e geração de emprego e renda em aproximadamente 99% dos municípios brasileiros onde está presente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem cerca de 1,2 milhão de propriedades produtoras de leite no país. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de leite e possui um significativo potencial de expansão, podendo tornar-se um importante exportador nesse setor.

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais 'Hoje em Dia' e 'O Tempo' e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.