O clima seco e a baixa incidência de chuvas nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul estão consolidando uma safra de uva marcada pela excelente sanidade e alta concentração de açúcares. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta quinta-feira (12), as condições meteorológicas têm sido o diferencial para o aumento do grau Brix (teor de açúcar), elevando o padrão de qualidade tanto para o consumo in natura quanto para a indústria de sucos e vinhos.
Na Serra Gaúcha, principal polo vitivinícola, a colheita das variedades de ciclo precoce e médio avança em ritmo acelerado. O tempo firme permitiu que uvas americanas e viníferas atingissem índices de açúcar entre 14° e 18° Brix, um indicador técnico de matéria-prima superior para o processamento.
Panorama das regiões produtoras
A colheita apresenta cenários distintos, mas predominantemente positivos, em todo o estado:
- Serra Gaúcha (Caxias do Sul): Além da melhora na qualidade, o mercado apresenta valorização. No Ceasa Serra, o preço da uva Niágara subiu de R$ 3,75 para R$ 4,30/kg. Já na venda direta nas propriedades, os valores oscilam entre R$ 2,00 e R$ 3,00/kg.
- Campanha e Fronteira Oeste: Em Hulha Negra, a colheita das variedades Isabel, Niágara, Bordô, Violeta e Concord já começou com preços atrativos de R$ 8,00/kg. Em Quaraí, cerca de 20% da área cultivada já foi colhida, com foco em uvas de mesa e brancas viníferas.
- Norte e Noroeste: Nas regiões de Frederico Westphalen e Ijuí, a safra de variedades como Lorena e Niágara entra na fase final. Embora a produtividade seja satisfatória, a grande oferta em Ijuí provocou uma leve redução nos preços, estabilizados em R$ 6,00/kg.
- Passo Fundo: A região se destaca pela produtividade elevada e qualidade considerada “excelente”. As uvas de mesa estão sendo comercializadas a R$ 6,00/kg, enquanto as viníferas saem a R$ 3,00/kg.
Sanidade e mercado
O relatório da Emater reforça que a ausência de umidade excessiva reduziu a pressão de doenças fúngicas nos parreirais, garantindo frutos mais limpos e resistentes. Esse cenário beneficia o viticultor na ponta final da cadeia, já que a uva com maior graduação de açúcar e sem danos sanitários alcança melhores preços junto às vinícolas e cooperativas.