Brasil registra aumento de ferrugem da soja no Paraná devido ao clima e manejo

Embrapa alerta para manejo adequado diante da maior circulação de esporos no país

Número elevado de relatos no Sul também está ligado à metodologia de registro

A safra de soja 2025/2026 conta com 144 registros de ferrugem-asiática da soja, uma das doenças mais severas para a cultura. Segundo o Consórcio Antiferrugem, foram 88 casos da praga no Paraná, 44 no Mato Grosso do Sul, 5 no Rio Grande do Sul, 4 em São Paulo, 2 em Santa Catarina e 1 registro em Minas Gerais. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve aumento de incidência do fungo no Brasil.

O Paraná, por exemplo, havia registrado 41 indícios de ferrugem-asiática no início de janeiro de 2024. “O aumento no número de relatos não indica perda de controle da doença, mas sim que a ferrugem foi identificada na região e precisa ser manejada adequadamente. É um sinal de que há esporos circulando e de que o produtor precisa utilizar fungicidas com eficiência para o manejo da ferrugem”, explicou a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja.

Na avaliação da pesquisadora, a maior ocorrência de relatos de ferrugem-asiática da soja na Região Sul do Brasil está relacionada à maior sobrevivência de plantas voluntárias de soja na entressafra, à janela de semeadura, na região, e ao monitoramento da doença. Godoy afirmou que o clima mais úmido durante o inverno, no Sul, favorece a sobrevivência da soja voluntária (plantas que nascem espontaneamente após a colheita) e, consequentemente, do fungo causador da ferrugem. “No Cerrado, onde o inverno é mais seco, essa sobrevivência é menor”, afirmou a pesquisadora.

O vazio sanitário, período de 90 dias em que é proibido semear soja, determina a eliminação das plantas. “Mesmo assim, há presença significativa dessas plantas em meio a outras lavouras na região Sul, o que contribui para a manutenção da doença”, explicou Godoy. Outro fator apontado pela pesquisadora é a janela de semeadura. “Estados como o Paraná iniciam o plantio já no dia 1º de setembro, assim como regiões do Paraguai. Quanto mais cedo se semeia, mais cedo a ferrugem começa a aparecer, principalmente quando há proximidade com fontes de inóculo”, afirmou Cláudia.

Além disso, o número elevado de relatos no Sul também está ligado à metodologia de registro. Os dados do Consórcio Antiferrugem são contabilizados por município, e o Paraná, por exemplo, possui um número maior de municípios em comparação a outros estados. “Os registros são voluntários e dependem da atuação de técnicos e agrônomos em campo. E as regiões com forte presença de cooperativas, como ocorre no Paraná, acabam apresentando maior número de notificações”, ressaltou Cláudia.

No Centro-Oeste brasileiro, por outro lado, a colheita se aproxima e a ferrugem tende a causar menos impacto. “Os produtores estão conseguindo maior ‘escape’ da doença. Porém, nessa região, outras enfermidades, como a mancha-alvo, têm maior relevância econômica”, concluiu Cláudia.

Orientações ao produtor

Com o avanço da resistência do fungo causador de ferrugem-asiática aos fungicidas há a necessidade do uso de produtos multissítios em associação. Esses fungicidas atacam o fungo em múltiplos pontos do seu metabolismo simultaneamente, por isso, o risco de o fungo desenvolver resistência a eles é mais baixo.

Os produtores podem baixar o aplicativo do Consórcio Antiferrugem na Google Play e Apple Store e acompanhar os dados do Consórcio Antiferrugem. A eficiência dos fungicidas disponíveis no mercado pode ser consultada no aplicativo “Classificação de eficácia de fungicidas químicos e biológicos: módulo soja” no site da rede de fitossanidade tropical (RFT), com informações baseadas em ensaios cooperativos de quatro safras. As circulares técnicas com ensaios detalhados para ferrugem-asiática são disponibilizadas no site da RFT.

A publicação Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2024/2025: resultados sumarizados dos ensaios cooperativos traz informações atualizadas para colaborar com a estratégia de manejo dos produtores.

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*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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