Alerta na fronteira: pesquisa monitora risco de invasão de abelha europeia no RS

Espécie invasora que já está presente em países vizinhos, foi introduzida no Chile

DDPA/Seapi realizou nos dias 27/1 e 28/1 nova etapa de monitoramento de mamangavas nativas

Pesquisadores gaúchos intensificaram, na última semana, o monitoramento de abelhas mamangavas nativas na fronteira do Brasil com o Uruguai. A ação, coordenada pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) no Rio Grande do Sul, busca proteger a biodiversidade local contra a possível entrada da mamangava europeia (Bombus terrestris), uma espécie invasora que já está presente em países vizinhos. O trabalho de campo ocorreu entre os dias 27 e 28 de janeiro.

O monitoramento é realizado mensalmente e abrange nove municípios da fronteira: Arroio Grande, Pedro Osório, Herval, Pinheiro Machado, Pedras Altas, Candiota, Hulha Negra, Bagé e Aceguá, totalizando 320 quilômetros percorridos por mês ao longo das beiras de estrada. Até o momento, não há registros da espécie de mamangava invasora no estado.

Ameaça à biodiversidade

A mamangava europeia foi introduzida no Chile para auxiliar na polinização de cultivos como o tomate. No entanto, sua chegada ao território brasileiro preocupa especialistas devido ao potencial de desequilíbrio ambiental.

  • Competição: espécie exótica disputa néctar e pólen com as abelhas nativas.
  • Doenças: existe o risco de transmissão de patógenos para as populações locais.

“O objetivo é gerar subsídios para ações de conservação e políticas públicas”, explicou a pesquisadora Sidia Witter, coordenadora do estudo.

Ciência e pecuária no bioma Pampa

Uma das frentes do projeto acontece no centro de pesquisa de Hulha Negra (RS). Lá, cientistas utilizam o cultivo de leguminosas como o trevo vermelho e a ervilhaca para atrair e estudar as mamangavas. Além de servirem como alimento para as abelhas, essas plantas ajudam na recuperação do solo e na melhoria das pastagens.

Flora nativa do Bioma Pampa

Essa integração demonstra que a preservação das abelhas e a pecuária sustentável podem coexistir, garantindo a polinização necessária para manter o ecossistema do Pampa produtivo e saudável.

Como identificar e colaborar

A pesquisa conta com o apoio de instituições como a USP, Ibama e universidades gaúchas. A orientação para a população e produtores da região é que caso aviste uma mamangava com características diferentes das nativas, não mate o inseto.

O que fazer ao encontrar uma suspeita de mamangava europeia:

  1. Tire uma fotografia nítida.
  2. Registre a localização exata (coordenadas ou ponto de referência).
  3. Envie as informações para o e-mail: muse.ento.rgc@gmail.com.
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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