Indicador do milho recua e volta ao patamar de R$ 65 por saca no país

Estoques elevados e baixa liquidez impedem reação nos preços

Parte dos produtores mostrou maior flexibilidade nos preços

O Indicador do milho ESALQ/BM&FBovespa encerrou janeiro em queda e voltou a operar na casa dos R$ 65 por saca de 60 kg, nível que não era registrado desde o fim de outubro de 2025. Os dados foram coletados por pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o Centro de Pesquisas, a liquidez foi baixa no período, já que os compradores priorizaram o consumo de estoques adquiridos antecipadamente e realizaram novas aquisições apenas de forma pontual. Do lado da oferta, parte dos produtores mostrou maior flexibilidade nos preços, motivada pelo receio de novas desvalorizações e pela necessidade de liberação de armazéns.

Tradicionalmente, a colheita da soja e o aumento da demanda por fretes para a oleaginosa costumam dar sustentação aos preços do milho nas primeiras semanas do ano. No entanto, em 2026, esse movimento não foi suficiente para impulsionar as cotações.

Um dos principais fatores que têm limitado reações nos preços é o elevado volume de estoques de milho. A estimativa é de 12 milhões de toneladas neste início de temporada, bem acima dos 1,8 milhão de toneladas registrados em 2025 e também superior à média das últimas cinco safras, de 9,2 milhões de toneladas.

Leia também

*Giulia Di Napoli colabora com reportagens para o portal da Itatiaia. Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

Ouvindo...