A tilápia é protagonista da mesa e da economia aquícola brasileira, com uma produção que supera 600 mil toneladas anuais e movimenta R$ 7 bilhões. No entanto, o debate recente sobre sua possível
A resposta, segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), está na ciência. Através de seu Programa de Pesquisa em Aquicultura, a instituição lidera frentes tecnológicas que visam transformar a tilápia em um modelo de produção sustentável, eliminando o estigma de “ameaça” ambiental.
O desafio da reprodução controlada
Um dos maiores riscos ambientais é o escape de peixes férteis para rios e lagos. Para mitigar isso, a EPAMIG, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), trabalha no aperfeiçoamento da masculinização.
Atualmente, o método hormonal convencional deixa uma margem de erro de 5% de fêmeas. O objetivo das novas pesquisas é atingir lotes 100% masculinos e desenvolver peixes estéreis via manipulação cromossômica. “Estratégias para a inibição da reprodução são essenciais para evitar que a espécie se multiplique descontroladamente fora dos tanques de engorda”, explicou o pesquisador Franklin Costa.
Sistemas de produção blindados
Além do controle biológico, a EPAMIG aposta na modernização das estruturas físicas. O foco são os sistemas “fechados”, que desconectam a produção dos cursos d'água naturais:
- RAS (Sistemas de Recirculação de Água): A água é filtrada e reutilizada, minimizando o descarte.
- BFT
(Bioflocos) : Um ecossistema de microrganismos que transforma resíduos em alimento, aumentando a eficiência e a segurança.
Esses modelos funcionam como uma barreira física, reduzindo drasticamente as chances de qualquer peixe chegar ao meio ambiente.
Estudo comprova bioflocos como revolução sustentável na produção de tilápia sCriação de tilápias em sistema de bioflocos é o tema de novas pesquisas da Epamig
Melhoramento genético: foco no vativeiro
Uma abordagem inovadora da EPAMIG é o melhoramento genético focado no desempenho em cativeiro. Ao desenvolver animais altamente adaptados às condições controladas de ração e densidade, esses peixes tornam-se menos aptos a competir na natureza. “O peixe é melhorado para o cativeiro; caso escape, terá chances mínimas de sobrevivência comparado aos peixes de vida livre”, destacou Costa.
Equilíbrio entre economia e ccologia
A proposta da EPAMIG não é extinguir os modelos tradicionais de tanques-rede, mas integrá-los a tecnologias que encurtem o tempo de permanência do peixe em ambientes naturais, utilizando sistemas controlados nas fases mais críticas.
Com essas inovações, a pesquisa mineira garante que a tilápia continue sendo um motor de desenvolvimento social e nutricional para o Brasil, sem abrir mão do rigoroso cuidado com a biodiversidade brasileira.